Alemanha tenta dispersar militantes antes de cúpula do G8

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BERLIM - A polícia alemã usou jatos d'água para dispersar manifestantes na quarta-feira em Hamburgo, note do país, depois de uma série de ações contra organizações antiglobalização, a poucas semanas da cúpula do G8 num balneário do mar Báltico.

A polícia disse que três agentes foram feridos por garrafas e pedras atiradas por manifestantes contrários às ações policiais, num protesto ocorrido em frente a um centro cultural de Hamburgo. Houve prisões, mas a polícia não informou quantas.

Antes, cerca de 900 agentes vasculharam 40 locais em Berlim, Brandemburgo, Hamburgo, Bremen, Schleswig-Holstein e na Baixa Saxônia, como parte de duas investigações separadas sobre militantes antiglobalização, segundo nota do Ministério Público alemão.

- Suspeitamos que os alvos, que pertencem à cena militante de extrema esquerda, tenham fundado uma organização terrorista ou sejam membros de tal organização, que está planejando incêndios criminosos e outras ações para perturbar severamente ou impedir a cúpula do início do verão (no hemisfério norte) do G8 em Heiligendamm - disse o Ministério Público.

A primeira-ministra Angela Merkel vai receber líderes de Grã-Bretanha, Canadá, França, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos de 6 a 8 de junho, numa reunião que tratará de mudanças climáticas, pobreza na África e cooperação econômica.

Também na quarta-feira, o ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, anunciou um reforço dos controles fronteiriços antes da cúpula, uma ação semelhante à realizada no ano passado durante a Copa do Mundo para evitar o afluxo de torcedores violentos.

- Estamos particularmente concentrados nos perigos derivados dos oponentes violentos da globalização - disse o ministério.

As duas investigações são voltadas contra 21 ativistas de extrema esquerda, cujos nomes são conhecidos pelas autoridades, assim como de outros suspeitos não-identificados. A polícia que ninguém foi preso nas ações de quarta-feira.

Os promotores acreditam que os suspeitos sejam responsáveis por pelo menos 20 incêndios e outros incidentes nas regiões de Hamburgo e Berlim nos últimos dois anos.

O "Gipfelsoli", um grupo anti-G8, criticou as ações policiais e acusou as autoridades de uma "onda de repressão" para desmantelar a rede de comunicações do movimento.

- Na minha opinião, o objetivo das revistas de hoje é obter informação sobre potenciais ações na cúpula do G8, e talvez assustar as pessoas que querem participar desses protestos - disse Christoph Kliesing, advogado que representa grupos de esquerda, em entrevista coletiva em Berlim.

A Alemanha não experimenta a violência de militantes de esquerda desde a época do grupo Facção do Exército Vermelho, que surgiu na década de 1970 e anunciou seu fim em 1998.