Al Qaeda pode estar envolvida no seqüestro de jornalista da 'BBC'

Agência EFE

GAZA - O grupo palestino Exército do Islã informou nesta quarta-feira por meio de um site supostamente usado pela rede terrorista Al Qaeda que tem em seu poder o jornalista inglês Alan Johnston e se propõe a trocá-lo por um religioso, o xeque Abu Qatada, que está detido no Reino Unido esperando a sua deportação para a Jordânia.

Caso o vídeo disponibilizado na Internet seja autêntico, esta seria a primeira notícia sobre Johnston, correspondente da 'BBC' em Gaza de 44 anos que foi capturado no dia 12 de março.

Segundo analistas palestinos esta seria a evidência de que a Al Qaeda, como suspeitam há algum tempo a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Israel, está se infiltrando na faixa autônoma de Gaza.

A única reação do Governo palestino de união nacional até esta tarde foi a de seu porta-voz, Ghazi Hamad, que afirmou aos jornalistas que não pode confirmar a informação.

- O vídeo diz que há seqüestradores, mas não pudemos confirmar isto ainda -declarou o funcionário.

Outro grupo palestino desconhecido divulgou dias atrás em Gaza a informação de que Johnston 'tinha sido executado', porém não deu provas disto. Por outro lado fontes de Gaza, que pediram anonimato, disseram que o Reino Unido tinha que pagar US$ 5 milhões por seu resgate.

O anúncio foi feito pouco após uma reunião, na última terça, do primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh com um diplomata inglês em Gaza, onde conversavam sobre a situação de Johnston.

Apesar do tempo transcorrido desde o seqüestro do jornalista, as entidades de segurança da Presidência e do Governo palestino não conseguiram encontrá-lo.

Até agora havia rumores em Gaza de que esta ineficácia era fruto do temor de um choque com os supostos seqüestradores, do clã familiar Doghmush, que tem uma milícia de mil homens.

O vídeo, que inclui uma imagem do documento de identidade e da credencial de Johnston, foi entregue hoje no escritório da emissora "Al Jazira' em Gaza.

O vídeo não dá sinais de vida de Johnston, mas inclui uma convocação aos muçulmanos de todo o mundo para se mobilizar para resistirem 'à cruzada (do Ocidente) contra a nação islâmica'.