Agência EFE
LAHORE (PAQUISTÃO) - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jaap de Hoop Scheffer, pediu nesta terça-feira ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf, maior coordenação nos trabalhos com o Afeganistão, para reforçar a segurança na fronteira comum e combater os talibãs.
De Hoop chegou ontem à noite a Islamabad, em sua primeira visita oficial ao Paquistão. Ele se reuniu nesta terça-feira com Musharraf para analisar a estratégia da Aliança no Afeganistão.
Devem tratar, ainda, da colaboração com as Forças Armadas paquistanesas, diante da renovada insurgência talibã, segundo uma fonte do Ministério das Relações Exteriores paquistanês.
As conversas se concentraram nas medidas que devem ser tomadas pela Otan e pelas forças de segurança do Paquistão na fronteira afegã-paquistanesa, para impedir a passagem de insurgentes e a criação de 'santuários' talibãs na região.
O Afeganistão e o Paquistão compartilham mais de 2.500 quilômetros de fronteira, com inúmeras áreas montanhosas de difícil acesso. Essas são utilizadas pelos rebeldes pró-talibãs para lançar ataques contra o território afegão.
A Otan já tinha solicitado a Musharraf, no final do ano passado, que impedisse o movimento, na fronteira, de talibãs afegãos provenientes de solo paquistanês.
O presidente respondeu com um polêmico plano de construção de um muro na região, que ainda seria minada, o que despertou protestos por parte dos afegãos.
A rejeição e as pressões internacionais levaram Musharraf a eliminar da proposta a implantação de minas. No entanto, a Aliança e países como os Estados Unidos continuam insistindo na necessidade de colaboração paquistanesa, para que a missão no Afeganistão tenha êxito.
Nesse sentido, De Hoop, que viajou acompanhado do comandante supremo da Otan, o general John Craddock, insistiu nesta terça-feira na importância da existência de frentes unidas contra os talibãs. Isso seria feito através da colaboração militar e do intercâmbio de informações.
Os dirigentes da Otan pediram a Musharraf que promova uma 'melhor coordenação' entre Islamabad e Cabul.
A medida teria como objetivo superar o 'receio mútuo' relativos às infiltrações na fronteira, além de melhorar a segurança na região, segundo fontes do Ministério de Relações Exteriores.
A visita dos líderes da Aliança ao Paquistão é realizada depois do pacto contra o terrorismo, celebrado por Islamabad e Cabul no final de abril, em Ancara. Então, sob mediação da Turquia, Musharraf e o presidente afegão, Hamid Karzai, decidiram trocar informações e tomar medidas de apazigüamento.
Na chamada 'Declaração de Ancara', os líderes, que já se acusaram mutuamente de não fazer o suficiente contra os talibãs, concordaram em 'negar asilo, treino e financiamento a terroristas e a elementos subversivos' em seus territórios. Decidiram, ainda, 'fortalecer suas relações' bilaterais.
Durante seu encontro com De Hoop, Musharraf ressaltou, no entanto, que os talibãs são um problema principalmente do Afeganistão. Admitiu, porém, que é interessante para o Paquistão ter um país 'estável e pacífico' como vizinho.
O presidente paquistanês também afirmou que as forças afegãs e internacionais devem fazer mais nos níveis militar, político e administrativo para combater a insurgência.
Além de Musharraf, De Hoop se reuniu com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Khurshid Kasuri. Ele reiterou que os cerca de 35 mil soldados sob comando da Otan são destinados a uma missão de 'paz, estabilidade e reconstrução', e não de ocupação.
Por sua vez, Kasuri, em entrevista coletiva concedida após a reunião, afirmou que, como parte dos acordos de cooperação entre o Paquistão e a Otan, a Aliança treinará forças do Exército paquistanês em seus quartéis da Alemanha e de Roma.