Agência EFE
NUSA DUA - A senadora uruguaia Mónica Xavier, que lidera o Parlamento da Mulher, afirmou que 'é importante que homens e mulheres sejam iguais perante a lei, mas mais importante ainda é que sejam iguais na vida', e defendeu, numa entrevista à Efe, o critério da paridade para aumentar a participação das mulheres na política.
Apesar dos avanços na última década, Xavier destaca o fato de que "as mulheres só representam 17% do total de parlamentares do mundo'. O número, avalia, impede que a visão das mulheres leve a uma presença real na política mundial.
A senadora uruguaia coordena o Comitê do Encontro de Mulheres Parlamentares da União Interparlamentar (UIP). A organização, que reúne representantes de mais de 700 Parlamentos de todo o mundo, celebra esta semana na ilha indonésia de Bali a sua 116ª assembléia.
- Este fórum internacional oferece a possibilidade de construir consensos e vontades políticas que levem a legislações para ajudar a mudar a realidade, opinou Xavier.
Segundo a senadora uruguaia, 'a sociedade atual é baseada em valores patriarcais, mas as mulheres, que são 52% da população mundial, não podem ficar excluídas, sub-representadas nem representadas por homens'.
Ela aprovou as medidas aprovadas recentemente na Espanha, que obrigam os partidos políticos incluir em suas listas eleitorais pelo menos 40% de mulheres. Mas admitiu que 'cada país tem suas peculiaridades e deve adaptar as medidas à sua realidade'.
- O Uruguai aprovou recentemente uma Lei de Igualdade de Oportunidades e Direitos. Ela está a uma enorme distância da lei espanhola, mas é um avanço importante nas políticas públicas, exemplificou.
Para a senadora uruguaia, o enfoque de gênero tem duas prioridades. A primeira seria a 'política da presença', que exige uma representação adequada, na medida do possível se aproximando da paridade.
Em segundo lugar, é necessário ter consciência de que a desigualdade e a discriminação existem. Como compensação, é preciso adotar 'medidas transitórias que melhorem a condição de quem está pior, para que chegue ao mesmo nível de oportunidade'.
- Se os desiguais são tratados da mesma forma, a desigualdade se perpetua, argumentou.
A senadora, do Partido Socialista Frente Ampla, comemorou o fato de que a cada ano mais países ratificam acordos internacionais como a Convenção das Nações Unidas para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e o seu Protocolo Facultativo.
- Na última década, houve avanços positivos. Mas ainda resta muito a fazer, avaliou Xavier.
- Em muitos países, a falta de educação e o analfabetismo se concentram nas mulheres. Mas, no Uruguai, as mulheres têm maior capacitação que os homens e, mesmo assim, a sub-representação é uma realidade nos três poderes do Estado, comentou.
O Parlamento da Mulher, segundo a senadora, 'não tem como objetivo ser um Parlamento paralelo, e sim analisar de um ponto de vista de gênero os temas debatidos pela UIP'.