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FBI investiga participação de Posada Carriles em atentado de Cuba

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Agência EFE

MIAMI - O Governo cubano permitiu que agentes do FBI investiguem e recolham provas em Cuba sobre a suposta participação do anticastrista Luis Posada Carriles em um atentado terrorista ocorrido em 1997, informou nesta quinta-feira o jornal 'The Miami Herald'.

Em um fato sem precedentes, três agentes do FBI viajaram recentemente para Havana, com o objetivo de recolher provas que envolvam Posada Carriles no atentado, perpetrado em 1997, no hotel Copacabana de Havana, no qual morreu o turista italiano Fabio Di Celmoque.

Segundo o jornal, os três agentes qualificaram a viagem de "assombrosa' e 'insólita', uma vez que, durante anos, Cuba 'bloqueou o acesso do FBI a testemunhas, cenários de crimes e informações sobre os atentados'.

Trata-se, segundo o jornal, de um 'extraordinário esforço de cooperação' entre os dois países, com o objetivo de esclarecer a participação no atentado de Posada Carriles, ex-agente da CIA e atualmente sob prisão domiciliar em Miami.

O advogado de Posada, Arturo Hernández, negou totalmente as acusações, e assinalou ao 'Miami Herald' que 'tudo aquilo que provém de Cuba procede de uma árvore envenenada'.

- A cooperação entre o FBI e Cuba na investigação do caso não tem precedentes - afirmou.

As fontes citadas pelo 'Herald' qualificam de 'muito produtiva' a viagem dos três agentes do FBI, e lembram que a última vez em que se estabeleceu uma colaboração similar foi no ano 2000, durante o julgamento, em Miami, de cinco cubanos acusados de espionagem.

O caso da suposta participação de Posada Carriles, de 79 anos, em atentados contra a indústria turística de Cuba está sendo julgado por um tribunal de Nova Jersey.

Ele é acusado de ser o cérebro da captação de fundos e compra de explosivos utilizados nos atentados em Cuba, registrados entre 1993 e 1998.

Segundo a versão do FBI, Posada Carriles conseguiu introduzir em Cuba explosivos plásticos no interior de garrafas de xampu e sapatos, que supostamente teriam sido utilizados no atentado do hotel Copacabana.

Posada Carriles, que se encontra em liberdade condicional, em Miami, deverá retornar a El Passo (Texas) no próximo dia 11, para ser julgado pelas acusações de entrada ilegal nos Estados Unidos e declarações falsas a agentes do departamento de imigração.

No caso que está sendo julgado em Nova Jersey, Posada Carriles é acusado de participação em atos terroristas.

Os Governos de Cuba e Venezuela o acusam ainda de ser o principal responsável pela explosão de um avião da Cubana de Aviación, em 1976, na qual morreram 73 pessoas.