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Royal pede 'audácia' do povo para chegar ao Palácio do Eliseu

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Agência EFE

PARIS - Com seu sorriso inabalável e uma vontade de ferro, a socialista Ségolène Royal caminha a passos firmes em sua corrida pelo Palácio do Eliseu e pede "audácia" aos franceses para ajudar a escrever, com ela, uma nova página na história do país. A "audácia" seria escolher, no dia 6 de maio, a primeira mulher como chefe de Estado, afirma Royal, que dedicou 25 de seus 53 anos à política, na qual entrou pelas mãos de seu companheiro e líder do Partido Socialista (PS), François Hollande, com quem vive há 27 anos e tem quatro filhos.

A "candidata da mudança" e da "força tranqüila" já fez história na França ao se tornar, em 2004, a primeira mulher a presidir uma região, a de Poitou-Charentes, o que fez com que recebesse o apelido de 'Zapatera', em referência ao presidente do Governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero. Royal, que não esconde sua admiração pelo trabalho do líder espanhol e pela "coragem" da presidente do Chile, Michelle Bachelet, pode se tornar também a primeira mulher a presidir a França.

Ela foi a primeira a acreditar firmemente nesta possibilidade. A candidata do PS promete uma "França tranqüila", e quer reformar o país "sem embrutecê-lo", no que apresenta como uma contraposição a seu adversário, o conservador Nicolas Sarkozy. Confiança em si mesma, tenacidade, sangue frio, resistência e uma inegável habilidade são algumas das características desta mulher, a quarta de oito irmãos educados sob a forte disciplina do pai, um militar muito conservador.

Apesar de possuir um certo feminismo, Royal, cuja personalidade se formou em parte em oposição ao seu pai - que foi processado por ela por não pagar seus estudos -, não hesitou em usar sua condição de mulher e mãe em sua trajetória política.

- O senhor me faria esta pergunta se eu fosse um homem? - Royal chegou a responder em algumas entrevistas, queixando-se de ser vítima de ataques machistas, mesmo explorando a seu favor sua feminilidade e sua forma física, sem cair na vulgaridade.

A forma como se veste esta mulher madura, mas de aparência jovem, reflete uma elegância tipicamente francesa e discreta, e foi mais comentada que os ternos e as saias dos outros candidatos. Seus blazers brancos ou vermelhos (duas das cores da bandeira da França), suas saias na altura dos joelhos e seus saltos altos não passaram despercebidos. Da mesma forma, alguns de seus comentários sobre política externa e defesa (dois domínios reservados ao chefe do Estado) motivaram questionamentos sobre sua competência.

Como propostas, ela empunha os valores da 'liberdade', como fez durante a campanha interna do PS ao criticar a semana de trabalho de 35 horas - uma das bandeiras da esquerda - e elogiar alguns aspectos do Governo do trabalhista britânico Tony Blair. Royal também defendeu sua criticada 'democracia participativa', que a obrigou a adiar a apresentação de seu 'pacto presidencial' até fevereiro.

A candidata do PS fez cem promessas com as quais apontou o rumo de sua presidência claramente à esquerda, mas, com o crescimento do centrista François Bayrou nas pesquisas, não hesitou em modificar seu programa de Governo. Pragmática, na reta final Royal dirigiu várias vezes seu discurso ao eleitorado centrista e tentou conquistar o apoio de Bayrou, com quem inclusive protagonizou um inédito debate entre os dois turnos, sendo depois acusada de 'trocar de idéias como de saia'.

Esta 'filha política' do único presidente socialista da V República francesa, François Mitterrand, foi deputada aos 35 anos e ministra aos 38. Em 1981, Royal se tornou conselheira de Juventude e Esportes, e depois, de Assuntos Sociais do líder. De 1992 a 1993, a candidata do PS teve uma discreta experiência como ministra do Meio Ambiente no Governo do socialista Pierre Bérégovoy.

Apenas de 1997 a 2002 é que teve verdadeiramente uma experiência ministerial, à sombra do então primeiro-ministro Lionel Jospin. Entre 1997 e 2000, Royal ocupou o cargo de vice-ministra para o Ensino Escolar, onde ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente a pílula do dia seguinte nas instituições de ensino. Mais tarde, a socialista foi vice-ministra para a Família e a Infância, e, em março de 2001, e estendeu também suas competências aos Deficientes. Marcou um ponto ao criar uma licença-paternidade.

Apesar de ter ocupado ministérios de segunda linha, Royal sempre teve a rara habilidade de popularizar sua ação, precisamente por abordar assuntos bastante discutidos, como os programas violentos na televisão e a pornografia. No início da campanha, Sarkozy disse que a "contribuição de Royal ao debate político era próxima a zero". Agora, diz que a enfrente "como uma política de primeiro plano".