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Le Pen pede que franceses se abstenham no 2º turno da eleição

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REUTERS

PARIS - O líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, pediu a seus simpatizantes nesta terça-feira que se abstenham de votar no domingo, no segundo turno das eleições presidenciais do país. Para ele, isso é melhor do que votar em qualquer um dos candidatos, o favorito Nicolas Sarkozy ou a socialista Ségol¨ne Royal.

Os comentários de Le Pen foram feitos enquanto milhares de pessoas se reuniam em um lindo dia de sol para celebrar o 1o de maio, um feriado público tradicionalmente associado com o movimento trabalhista que ganhou um tom político mais aberto este ano, antes das eleições de domingo.

- Convido os eleitores que mostraram sua confiança em mim a não darem seus votos nem para Madame Royal nem para o Sr. Sarkozy, disse Le Pen a milhares de simpatizantes em uma marcha em Paris para comemorar a heroína medieval Joana D'Arc.

- Eu os convido a se abster de forma maciça.

Le Pen chocou a França ao derrotar o candidato socialista na última eleição presidencial, em 2002, antes de ser derrotado ele mesmo no segundo turno pelo presidente Jacques Chirac.

Le Pen ficou desapontado com um quarto lugar no primeiro turno nessa eleição.

Mas seus 3,8 milhões de eleitores, como os 6,8 milhões que votaram em François Bayrou, podem ser decisivos no segundo turno da eleição, em 6 de maio.

Le Pen diz que o linha-dura Sarkozy roubou muitas de suas idéias sobre a imigração e a identidade nacional, e sua recusa em apoiar o ex-ministro do Interior reflete seu ressentimento sobre o que considera exclusão do sistema político francês.

- Queremos Le Pen, não Ségol¨ne! Queremos Jean-Marie, não Sarkozy!, gritavam seus simpatizantes.

Sarkozy, de 52 anos, ganhou popularidade ao combater as revoltas que atingiram os subúrbios pobres da França em 2005. Ele obteve admiração por ser linha-dura no combate ao crime, mas seus opositores temem que ele seja muito autoritário.

- Queremos alertar o público sobre as posições perigosas de Nicolas Sarkozy, disse Bruno Julliard, presidente da união estudantil UNEF, que usava um broche com o rosto de Sarkozy e a palavra 'ódio' estampada em cima.

Royal, que enfrentou questionamento constante sobre sua competência, também levanta fortes reservas entre muitas pessoas, mesmo da esquerda. Ela buscou ganhar apoio ao pintar Sarkozy como um defensor de políticas 'brutais' que vão atingir os fracos.

Os dois candidatos se encontram em um debate na TV potencialmente decisivo nesta quarta-feira.

Sarkozy teve uma vitória fácil no primeiro turno das eleições, em 22 de abril, e mantém uma liderança de 4 a 6 pontos nas pesquisas de opinião.

- Não estou fazendo campanha para ganhar o voto de Jean-Marie Le Pen ou de François Bayrou, disse Sarkozy ao canal de televisão France 2.

- Estou falando com o povo francês, com os eleitores. Não com a elite, não com os que querem representá-la, não com os que querem falar por ela, mas com os franceses.

Uma pesquisa de opinião feita na segunda-feira sugeriu que 89 por cento dos eleitores de Le Pen votariam em Sarkozy.