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Itália comemora o 1º de Maio preocupada com acidentes de trabalho

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Agência EFE

ROMA - A Itália comemorou nesta terça-feira o Primeiro de Maio expressando preocupação com o alto número de mortes em acidentes de trabalho, fazendo um minuto de silêncio pelas vítimas nas manifestações realizadas em todo o país.

A manifestação unificada das três grandes centrais sindicais - CGIL, CISL e UIL - aconteceu na cidade de Turim, no noroeste do país. À frente, um grupo de crianças carregava um cartaz qu dizia 'O futuro somos nós'.

O secretário-geral da principal central sindical do país, a CGIL, Guglielmo Epifani, pediu 'tolerância zero para as mortes e os ferimentos por motivos de trabalho'.

As mortes no local de trabalho preocupam cada dia mais na Itália, devido aos inúmeros acidentes. Desde o começo deste ano, faleceram 226 pessoas e, no ano passado, houve 1.250 mortes.

O Primeiro de Maio também foi manchado por um acidente de trabalho que custou a vida de duas mulheres na cidade de Sorrento. As vítimas foram atingidas por um andaime que caiu, em acidente no qual outros três trabalhadores ficaram feridos.

O prefeito de Roma, Walter Veltroni, anunciou na segunda-feira que, a partir desta terça-feira, o Coliseu será iluminado anualmente nesta data para lembrar os mortos por acidentes de trabalho, assim como acontece toda vez que uma condenação à morte é anulada no mundo.

O presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano, em cerimônia em Roma, lembrou as palavras do filho de um dos mortos:

- É absurdo que se deva morrer trabalhando, e trabalhando por salários baixos, às vezes até indecentes.

Napolitano lembrou que de três a quatro pessoas morrem por dia na Itália durante a jornada de trabalho. Por isso, afirmou, não se deve limitar-se à denúncia e embora ponderando que 'não existem soluções radicais nem fáceis', pediu que 'cada um faça sua parte' para combater o problema.

O primeiro-ministro, Romano Prodi, participou em Bolonha (nordeste) da entrega das 'estrelas do mérito no trabalho', e disse que seu Governo está trabalhando para que os acidentes de trabalho tenham 'a menor proporção possível'. Para isso, segundo ele, a legislação é uma condição necessária, mas não suficiente.

O ministro do Trabalho, Cesare Damiano, assegurou que o Executivo está comprometido com uma luta sem trégua em favor da segurança no trabalho. Para esta, disse, é 'fundamental a luta contra o trabalho informal e a precariedade'.