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Vice-premiê palestino diz que governo pode ser dissolvido

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REUTERS

RAMALLAH - O vice-primeiro-ministro palestino, que é um líder da Fatah, disse na segunda-feira que o governo de unidade liderado pelo Hamas e formado há seis semanas deve ser dissolvido se o embargo ocidental não for levantado dentro de três meses.

As declarações de Azzam al Ahmad, feitas a professores de escolas públicas que fizeram uma greve de um dia para protestar contra o não pagamento de seus salários, foram as primeiras desse tipo feito por um líder do governo de unidade formado pelos islâmicos do Hamas com a facção secular Fatah do presidente Mahmoud Abbas.

- Se o cerco econômico e nacional ao povo palestino não for levantado em três meses, este governo deve partir, disse Al Ahmad a centenas de professores depois de eles tentarem invadir instalações do governo em Ramallah, na Cisjordânia.

A polícia usou cassetetes para afastar os professores que faziam um protesto diante do gabinete do primeiro-ministro palestino. Alguns dos professores foram atingidos, mas nenhum sofreu ferimentos graves.

Antes disso os professores tinham tentado invadir o gabinete do ministro da Educação, Naser al Shaer, mas ele não se encontrava no local.

O protesto e as declarações de Al Ahmad ressaltaram as dificuldades enfrentadas pelo governo de unidade em satisfazer as expectativas dos palestinos que não recebem seus salários integrais desde que o Hamas chegou ao poder, em março de 2006.

O primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, disse na semana passada que o grupo militante vai reavaliar sua posição em um ou dois meses se as sanções continuarem. Mas ele não disse que dissolver o governo seria uma das opções possíveis.

O ministro das Finanças, Salam Fayyad, pretende começar a pagar salários parciais aos funcionários públicos no início de cada mês, mas líderes sindicais disseram que isso é menos do que as promessas anteriores do governo.

O líder do sindicado dos funcionários do governo, Bassam Zakarneh, ameaçou com nova rodada de greves, incluindo uma greve de advertência de um dia na quarta-feira, para reivindicar salários completos e retroativos.

No mês passado, o Hamas formou um governo de unidade com o Fatah, numa tentativa de pôr fim aos conflitos internos e aliviar o embargo econômico internacional, que já dura um ano. Mas as tensões entre Hamas e Fatah continuam grandes, especialmente na Faixa de Gaza, e a proibição ocidental à ajuda direta à Autoridade Palestina continua em vigor.

Apesar dos apelos de Fayyad e Abbas, o comissário de ajuda da União Européia disse na semana passada que o auxílio dado pela UE vai continuar a passar ao largo do governo palestino até que este reconheça Israel, renuncie à violência e obedeça os termos dos acordos interinos de paz, conforme exigem o Quarteto de mediadores no Oriente Médio e Israel.

Fayyad conta receber pelo menos 55 milhões de dólares mensais de países da Liga Árabe para cobrir cerca de metade da folha de pagamentos mensal da Autoridade Palestina.