Agência EFE
GAZA - O líder político do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, alertou que a atual situação que o povo palestino vive, cujo Governo enfrenta um boicote político e econômico internacional, poderia levar a uma nova Intifada que teria efeitos em Israel e em toda a região.
- Se o povo palestino padecer desta horrível situação isto levará a uma grande explosão que não só afetará os palestinos, mas toda a região, e especialmente a entidade sionista (Israel), disse Meshaal em entrevista publicada hoje no jornal palestino 'Al-Ayyam', editado em Ramala.
Meshaal ressaltou que 'não existe nenhum tipo de justificativa para a continuação do embargo', especialmente após o acordo alcançado na cidade saudita de Meca em fevereiro, para a formação do Governo de coalizão e a designação de Salam Fayyad - um ex-funcionário do FMI - como ministro das Finanças.
Após a chegada do Hamas ao poder, há mais de um ano, a comunidade internacional iniciou um bloqueio político e financeiro ao Governo palestino, enquanto o grupo islâmico não reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos assinados entre israelenses e palestinos.
O chefe do escritório político do Hamas no exílio concedeu a entrevista ao jornal na sexta-feira passada no Cairo, cidade onde se reuniu no fim de semana com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, com o qual analisou a reabilitação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Meshaal advertiu que a situação atual em que os palestinos vivem é parecida com a do fim dos anos 90, que 'abriu o caminho à Intifada de Al-Aqsa'.
O dirigente do Hamas disse que não pretende ser presidente.
- Todos temos nossas próprias responsabilidades e não competimos entre nós.
O líder político também se referiu às negociações para conseguir uma troca de palestinos presos em Israel pela libertação do soldado israelense Gilad Shalit, detido por três milícias palestinas, entre elas o braço armado do Hamas.
Meshaal revelou que a lista de presos palestinos elaborada pelo Hamas e que foi entregue recentemente a Israel por meio do Egito 'é a primeira que acordada para conseguir a troca, que se divide em três fases, cada uma das quais com suas características específicas'.
O líder disse que a segunda lista de presos palestinos só será entregue a Israel 'à luz do cumprimento com sucesso do primeiro passo'.
Meshaal acrescentou que Shalit foi tratado 'de forma moral e humana' e que seus seqüestradores estão 'ansiosos por libertá-lo e devolvê-lo a sua família', mas acusou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de 'querer chantagear no último momento'.