Agência EFE
WASHINGTON - A maior parte dos países da América Latina tomou medidas para melhorar a luta antiterrorista em 2006, mas a corrupção, a fraqueza das instituições e a escassez de recursos criaram obstáculos para os objetivos, disse hoje o Governo dos Estados Unidos.
O Departamento de Estado americano divulgou hoje o relatório anual que qualifica a atuação dos países do mundo na luta antiterrorista e serve, em parte, para determinar a ajuda que os Estados Unidos destinam para o exterior com este propósito.
Na avaliação de pouco mais de 300 páginas, os EUA elogiaram muito a cooperação da Colômbia e criticaram a atuação de Venezuela, Cuba, Bolívia e Peru, países com os quais mantêm, em maior ou menor parte, diferenças ideológicas.
A análise indica que as mortes por terrorismo aumentaram 40% em 2006 no mundo todo, até alcançarem 20.498 vítimas, por causa em parte pela violência no Iraque.
O relatório, que é enviado ao Congresso no máximo no dia 30 de abril de cada ano, reflete que a cooperação internacional criou um ambiente 'menos permissivo' para os terroristas, afirmou em entrevista coletiva Frank Urbancic, responsável do Escritório para a luta Antiterrorista do Departamento de Estado.
- Apesar deste inegável progresso, não há dúvida de que persistem desafios graves' por causa em parte das guerras no Iraque e no Afeganistão - disse Urbancic.
Segundo o relatório, a ameaça de um ataque terrorista é 'baixa'
em quase todo o continente americano, e os atos de terrorismo foram registrados principalmente por grupos armados ilegais na Colômbia e "remanescentes' de grupos radicais esquerdistas na região andina.
Sem que represente uma surpresa, por causa da distância das relações bilaterais, os Estados Unidos afirmam que a Venezuela 'não está cooperando plenamente' na luta antiterrorista, e que as "afinidades ideológicas' do presidente deste país, Hugo Chávez, com a guerrilha colombiana, limitaram a cooperação de seu país com a Colômbia.
O relatório reconheceu, no entanto, que 'não fica claro até que ponto o Governo da Venezuela tem dado apoio material aos terroristas colombianos'.
Para Washington, é um sinal negativo que em 2006 Chávez tenha continuado com suas críticas à luta antiterrorista dos Estados Unidos e aprofundado as relações de seu país com o Irã e Cuba.
O documento afirmou que o presidente venezuelano 'não teve vontade' para impedir que seu país sirva como 'santuário' das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Cuba está, como em exercícios anteriores e junto a países como o Irã e a Síria, entre os Estados patrocinadores do terrorismo, e deu refúgio a membros do grupo terrorista basco ETA, das Farc e do ELN, segundo os Estados Unidos.
O relatório também criticou os esforços do Governo da Bolívia, limitados, segundo Washington, por causa da escassez de recursos, da corrupção e de um enfraquecido marco legal.
Ele elogiou por outro lado a 'enérgica' condenação ao terrorismo pelo Brasil, mas disse que 'não deu o apoio material e político necessário para fortalecer as instituições antiterroristas' deste país.
Sobre o Peru, o documento advertiu que elementos do grupo maoísta Sendero Luminoso ressurgiram e se envolveram no narcotráfico e em 92 atos terroristas em áreas remotas deste país andino.
A Colômbia é um grande aliado de Washington na região e, neste sentido, recebeu vários elogios pela luta contra dos grupos armados ilegais, embora os Estados Unidos tenham reconhecido que persiste o clima de insegurança no país.
- Os grupos terroristas com base na Colômbia foram enfraquecidos como resultado das ações agressivas dos militares e da Polícia, mas continuavam assassinando, seqüestrando e aterrorizando' a população civil - diz o relatório.
Além disso, afirma que a Colômbia extraditou 102 criminosos para os Estados Unidos em 2006 e que o acordo de extradição entre os dois países é um dos 'mais bem-sucedidos' do mundo.
Além disso, elogiou a cooperação do México contra o terrorismo, mas disse que a lavagem de dinheiro é um problema 'significativo'.