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BARQUISIMETO - Bolívia e Venezuela, que realizam grandes processos de nacionalização, podem sair do centro de arbitragem de investimentos do Banco Mundial, segundo uma proposta feita no domingo pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, em uma cúpula na Venezuela.
Morales convidou seus pares da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) a deixar o Centro Internacional de Acordo de Diferenças Relativas a Investimentos (Ciadi) do Banco Mundial, acusando-o de favorecer as transnacionais em detrimento dos interesses nacionais.
- Os países membros da Alba (..) rejeitam enfaticamente as pressões jurídicas (...) de algumas empresas transnacionais que têm vulnerado normas constitucionais e leis (...) e resistem à aplicação de decisões soberanas dos países, ameaçando e iniciando demandas de arbitragem internacional - propôs Morales.
Seus colegas disseram que aceitavam a proposta, mas não foi indicado como aconteceria a convenção.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em constante luta contra 'o imperialismo' dos Estados Unidos, assegura que os países do sul devem fundar seus próprios organismos multilaterais e separar-se do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.
A Venezuela está em vias de nacionalizar sua indústria petrolífera, além do setor elétrico e a principal empresa de telecomunicações do país.
Morales, um líder cocaleiro admirador do líder cubano Fidel Castro e de Chávez, se uniu à Alba, fundada por Venezuela e Cuba, pouco depois de iniciar seu governo, e logo foi seguido pelo colega Daniel Ortega, que venceu as eleições da Nicarágua.
Em meio à nacionalização dos hidrocarbonetos empreendida por Morales e das primeiras reformas nas leis de mineração, a Telecom Italia disse que poderia solicitar a arbitragem internacional ante a intenção da Bolívia de nacionalizar a telefônica Entel, onde possui 50 por cento.
A Telecom Italia tem participação na empresa líder das telecomunicações no país sul-americano desde meados da década passada.
Já o grupo suíço Glencore International não aceita oficialmente a nacionalização da Empresa Metalúrgica Vinto, que foi devolvida ao Estado sem compensação. Porém, já foram estabelecidas negociações com a empresa.
A brasileira Petrobras também protesta em relação aos hidrocarbonetos.