Agência EFE
BRUXELAS - A União Européia (UE) está confiante no início de um processo de integração econômica com os EUA na cúpula de Washington, na segunda-feira, na qual espera conseguir também avanços no combate à mudança climática e na política de vistos.
A cúpula de Washington marcará a implementação de um Conselho Econômico Transatlântico. Sera o primeiro órgão estável criado com o objetivo de avançar rumo a uma maior integração econômica entre os dois lados.
A delegação européia será chefiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, que ocupa a Presidência da UE. Ao seu lado estarão o chefe da diplomacia do bloco, Javier Solana, e o presidente da Comissão Européia (órgão executivo da comunidade), José Manuel Durão Barroso.
A cúpula aprovará documentos sobre cooperação política, econômica, energética e ambiental. Irã, Kosovo, Darfur e Afeganistão serão os assuntos mais importantes da agenda de política externa.
No tema do terrorismo, os europeus vão insistir com os americanos na importância da questão dos vistos. Eles consideram 'inaceitáveis'
as exigências americanas e exigem 'reciprocidade', segundo fontes diplomáticas.
Todos os países permitem entrada sem visto de viajantes americanos. Mas os EUA exigem o documento para os cidadãos de nove países da UE.
Os EUA querem vincular a discussão com as negociações para um acordo definitivo sobre o intercâmbio de dados dos passageiros que chegam a território americano a bordo de aviões europeus. Mas a UE quer mais garantias de proteção dos dados e rejeita vincular os temas.
Em questões econômicas, os europeus vêem com otimismo a criação do Conselho Econômico Transatlântico. Seus primeiros diretores podem ser o comissário europeu de Empresas e Indústria, Günter Verheugen, e Robert Portman, diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca.
O órgão será um fórum político que assumirá a responsabilidade de promover a integração econômica entre EUA e UE.
- O acordo permitirá eliminar as atuais barreiras desnecessárias e cortar pela raiz as que possam surgir, disse José Manuel Durão Barroso. Para ele, se as duas partes mostrarem vontade política, o novo canal 'vai proporcionar uma redução de custos para empresas e consumidores dos dois lados do Atlântico'.
EUA e UE são os maiores parceiros comerciais do mundo. Os seus intercâmbios totalizam 40% do total do comércio internacional e suas economias representam 60% do PIB global.
No entanto, Washington e Bruxelas querem reduzir os entraves ao comércio criados por diferentes normas, buscando processos de harmonização. Por exemplo, uma norma técnica uniforme no setor automobilístico poderia reduzir de 5 a 7% no custo de produção dos veículos.
Na área de energia, estão previstos padrões comuns para a produção de biocombustíveis, a fim de incentivar o setor.
Já a negociação do documento sobre energia e meio ambiente depende de duras negociações sobre a mudança climática. Os EUA resistem ao objetivo europeu de entrar no comércio de emissões e se comprometer a limitar de forma concreta o aquecimento global.