Agência EFE
BAGDÁ - O clérigo radical xiita iraquiano Moqtada al-Sadr acusou hoje o presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, de não atender os pedidos do mundo e do povo iraquiano para que retire suas tropas do Iraque.
Al-Sadr, que lidera a milícia Exército Mehdi, fez a acusação em mensagem aberta dirigida a Bush, que foi lida por Liqa al-Yassin, deputada do Bloco de Sadr, no Parlamento do Iraque.
- Bush ignora todos os pedidos para retirar suas tropas do Iraque e estabelecer um calendário a esse respeito, apesar das manifestações realizadas no Iraque e em outras partes do mundo em 9 de abril, data que marcou o aniversário da entrada das forças norte-americanas em Bagdá - afirma al-Sadr na carta.
- A ONU já lhe disse que você não tem lugar no Iraque. O Partido Democrata pede a retirada e a preparação de um calendário a esse respeito - afirmou o clérigo xiita.
A permanência das forças norte-americanas causou a destruição do Iraque, afirmou al-Sadr, que rejeitou a possibilidade da saída das tropas suscitar um caos ainda maior do que o que se vive atualmente no Iraque.
- O tempo todo, sangue é derramado no Iraque, e carros-bomba explodem ininterruptamente - acrescentou al-Sadr, que está há mais de três meses em paradeiro desconhecido.
Ele também acusou Bush de incentivar a violência entre credos religiosos, com a construção de um muro ao redor do bairro sunita de Al-Azemiya, no norte de Bagdá.
Por último, disse que Bush abriu 'as portas do Iraque para a organização terrorista Al Qaeda'.
Seis ministros, pertencentes ao grupo de fiéis ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr, renunciaram há 12 dias, pela recusa do primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, a estabelecer um calendário para a retirada das tropas estrangeiras de seu país.