Putin ameaça abandonar Tratado de Armas Convencionais

Agência EFE

MOSCOU - O presidente russo, Vladimir Putin, propôs nesta quinta-feira uma moratória russa no Tratado de Armas Convencionais na Europa "até que todos os países da Otan ratifiquem o acordo e cumpram suas exigências, como a Rússia tem feito'.

Em sua mensagem à nação, no Kremlin, Putin ameaçou além disso denunciar o acordo internacional 'se os países da Otan não reduzirem seu armamento na Europa'.

- Proponho debater o tema no Conselho Rússia-OTAN. Caso não haja progresso nas negociações, podemos estudar a suspensão de nossos compromissos, proclamou Putin, sob aplausos de integrantes das duas câmaras do Parlamento.

O presidente russo lembrou que o Tratado foi assinado em 1990, quando ainda existia o Pacto de Varsóvia. Hoje, ele limita o deslocamento de tropas da Rússia pelo seu próprio território.

- A Rússia é o único país que tem limitações de armamento em seus flancos. Já imaginaram se os Estados Unidos aceitariam que limitassem o deslocamento de suas tropas em território americano?, comparou.

Putin lembrou que a Rússia assinou, ratificou e cumpriu o tratado, inclusive no flanco, sul apesar do conflito na Chechênia.

No entanto, queixou-se, os países da Otan 'alegam pretextos infundados' para não ratificar o Tratado. Ele mencionou em particular as exigências de retirada das tropas russas da Moldávia e Geórgia, que a Rússia, acrescentou, 'procura cumprir'.

Além disso, lembrou, alguns membros da Otan, como os países bálticos, nem sequer ratificaram o tratado.

- Crescem as bases militares junto a nossas fronteiras e agora pretendem desenvolver o sistema antimísseis dos EUA, observou.