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Promessas de modernização de Putin lembram era soviética

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REUTERS

MOSCOU - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira planos para gastar centenas de bilhões de dólares com várias áreas, em meio a um esforço de modernização que lembrou os dias de planificação central dos tempos áureos da União Soviética. Putin, dirigindo-se a parlamentares pela última vez antes de os eleitores russos escolherem o sucessor dele, em março, prometeu 'um segundo plano para a construção de instalações elétricas no país'. O primeiro plano do tipo foi lançado pelo revolucionário soviético Vladimir Lênin, em 1920.

- Até 2020, temos que aumentar em dois terços a capacidade de produção de eletricidade da Rússia - disse Putin, antes de ser aplaudido, no Salão de Mármore do Kremlin.

- A fim de conseguir isso, as empresas estatais e do setor privado investirão 12 trilhões de rublos (467 bilhões de dólares).

A Rússia deve construir 26 usinas nucleares ao longo dos próximos 12 anos. Além disso, os setores hidrelétrico, rodoviário, ferroviário, portuário e aeroportuário receberão investimentos. E também receberá investimentos um novo sistema de canais responsável por ligar os rios Volga e Don, facilitando assim as exportações de produtos vindos dos países do mar Cáspio. A construção de canais era uma obsessão de Josef Stálin e, nessas obras, morreram milhares de pessoas submetidas a trabalhos forçados. Mas agora Putin disse desejar que as empresas toquem esses planos -- o dinheiro público serviria apenas como um 'catalisador'.

As declarações soam ambiciosas, apesar de, segundo analistas, alguns dos planos não serem novos. 'Uma grande ênfase foi dada aos esforços para transformar a Rússia, novamente, em uma grande potência', afirmou Tim Ash, economista para mercados emergentes da Bear Sterns. Os gastos suplementares em relação ao Orçamento deste ano serão de 650 bilhões de rublos (25 bilhões de dólares). E a maior parte desse dinheiro será usado na capitalização de órgãos de desenvolvimento, afirmou Arkady Dvorkovich, assessor de Putin para assuntos econômicos.

Desse montante, 300 bilhões de rublos (11,7 bilhões de dólares) serão tirados do fundo de petróleo da Rússia, que soma atualmente 108 bilhões de dólares.

Putin também prometeu gastar o dinheiro do petróleo com planos para encorajar a poupança previdenciária, afirmando que o Estado realizaria pagamentos adicionais para cada 1.000 rublos que os russos contribuíssem voluntariamente para o sistema previdenciário do país. Dvorkovich disse que cerca de apenas 40 bilhões de rublos (1,56 bilhão de dólares) do dinheiro suplementar do Orçamento seria gasto imediatamente, o que preservaria a economia do país de um choque inflacionário.

Mas o ministro russo das Finanças, Alexei Kudrin, a principal autoridade do governo na área fiscal, fez soar o alarme. Kudrin afirmou em um encontro de governo que o aumento excessivo da base monetária já ameaçava os esforços da Rússia para deixar a inflação em menos de 8 % neste ano.

- Não posso dizer que haja qualquer garantia de que atingiremos a meta de inflação - afirmou o ministro.