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Bayrou acena em direção a Ségolène Royal, mas se recusa a indicar voto

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Agência EFE

PARIS - O líder centrista François Bayrou, que teve quase sete milhões de votos no primeiro turno das eleições francesas, se recusou nesta quarta-feira a apoiar a socialista Ségolène Royal e o conservador Nicolas Sarkozy, mas se mostrou muito mais crítico em relação a ele do que a ela.

Bayrou aceitou o diálogo proposto por Ségolène na segunda-feira. A reunião fez parte das tentativas da socialista de obter o maior número de votos moderados, necessários para o segundo turno com Sarkozy, que será realizado no dia 6 de maio.

Ségolene Royal propôs um debate com Bayrou, na sexta-feira, diante da imprensa local, para 'esclarecer' pontos de seu 'pacto presidencial', e eliminar 'ambigüidades e más interpretações'. Ela destacou, ainda, a 'forte convergência' com as posições expostas pelo líder centrista.

Os assessores de Bayrou, no entanto, disseram que ele prefere um debate televisionado.

Em entrevista coletiva em Paris, Bayrou anunciou também a criação do novo Partido Democrata, que substituirá a sua União para a Democracia Francesa (UDF). Ele apresentará candidatos nas 577 circunscrições eleitorais para as eleições legislativas de junho.

Bayrou, de 56 anos, tem como novo objetivo as eleições presidenciais de 2012. Ele fez um diagnóstico das crises democrática, social e de econômica da França, e disse que não serão resolvidas pelos projetos de Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal.

- No eterno embate entre direita e esquerda, Sarkozy e Royal não vão reparar, mas podem agravar os males da sociedade francesa - afirmou.

Entretanto, deixou as portas abertas a Ségolène, que chegou em segundo lugar no primeiro turno (com 25,87% dos votos). Ele assinalou, ainda, as mudanças do Partido Socialista em relação a ele desde então.

Bayrou reservou suas críticas mais duras ao candidato da conservadora União para o Movimento Popular (UMP), que chegou em primeiro lugar, com 31,18% dos votos.

- Por sua proximidade com o mundo dos negócios e com as potências midiáticas, e inclinação à intimidação e à ameaça, Sarkozy vai concentrar os poderes como nunca, e pode agravar as rupturas do tecido social - disse Bayrou.

Ségolène lhe parece 'mais bem intencionada' em relação à democracia, e mais atenta à sociedade francesa, mas seu programa de intervencionismo estatal é contrário ao que necessita a economia do país, segundo o centrista.

Bayrou reprovou as propostas de ambos para aumentar os gastos públicos e reduzir as retenções fiscais, o que agravaria os desequilíbrios do déficit e a dívida pública.

Apesar de ter se negado a dizer qual dos dois pressupõe o maior "risco' para o país, Bayrou insinuou que seria Sarkozy, e que não votará nele.

- Hoje não sei o que farei no dia 6 de maio. Mas começo a saber o que não farei - declarou.

Em um avanço em direção a Ségolène, ele declarou que se 'houver evoluções até o segundo turno, poderá revelar seu voto'.

Bayrou disse que também estaria disposto a debater com Sarkozy, algo que ainda não foi proposto.

A recusa de Bayrou em anunciar seu voto foi denunciada como "irresponsável' pelo presidente da Câmara dos Deputados francesa, Patrick Ollier (UMP).

Ollier pediu aos eleitores de centro-direita que acreditam na mudança proposta por Bayrou que pensem muito antes de 'misturar seus votos com os de 3,8 milhões de eleitores da extrema esquerda e do Partido Verde'.

O porta-voz da Liga Comunista Revolucionária - de extrema-esquerda -, Alain Krivine, criticou a abertura de Ségolène em relação a Bayrou. Segundo ele, o centrista pode 'desmobilizar uma parte da esquerda'.

O Partido Verde, por sua vez, considera que, 'na política, é preciso saber escolher'.

- Não é muito responsável dizer às pessoas que devem fazer o que quiserem - declararam fontes do partido.