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Apesar de tensões, Japão e EUA devem reforçar aliança em cúpula

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REUTERS

TÓQUIO - A revolta japonesa contra a posição norte-americana em relação à Coréia do Norte, junto com outras tensões, pode até surgir como pano de fundo da cúpula desta semana entre EUA e Japão, mas para o público o que vai aparecer, quase com certeza, serão declarações sobre o reforço da aliança entre os dois.

O primeiro-ministro Shinzo Abe viaja na quinta-feira para os EUA para uma visita de dois dias -- sua primeira desde que assumiu o cargo, em setembro --, que inclui uma passagem pelo refúgio presidencial de Camp David.

- Na realidade, eles estão em posições contrárias em relação à Coréia do Norte, mas não vão deixar isso transparecer. É a primeira viagem dele aos Estados Unidos e sob vários aspectos é como uma visita de cortesia, disse Takahide Kiuchi, economista que analisa a área política para a Nomura Securities.

- Os dois lados vão evitar demonstrar conflito, tentando criar um clima positivo.

Abe, 52, já se reuniu com o presidente George W. Bush antes, mas não teve a chance de cultivar com ele o relacionamento próximo que existia entre Bush e o antecessor de Abe, Junichiro Koizumi.

Além de encantar Bush com seu senso de humor, Koizumi foi um forte aliado dos EUA, chegando até a enviar soldados para o Iraque, na primeira missão do tipo desde 1945.

Abe parece estar igualmente comprometido com a aliança e quer que o Japão tenha uma atuação maior, reformando a Constituição pacifista do país e amenizando a proibição à autodefesa coletiva -- a ajuda a um aliado.

Mas o Japão vê com desconfiança a decisão dos EUA de negociar com a Coréia do Norte pelo desarmamento nuclear, em troca de ajuda no setor de energia e de garantias na área de segurança. Em fevereiro, Pyongyang prometeu começar a fechar seu reator nuclear de Yongbyon até 14 de abril. O prazo passou e nada aconteceu, já que a Coréia do Norte exigia a liberação de 25 milhões de dólares congelados num banco de Macau.

O premiê japonês, cuja popularidade deve-se principalmente à posição linha dura em relação à Coréia do Norte, insiste que o Japão não vai fornecer ajuda enquanto não houver progresso na questão dos cidadãos japoneses que foram sequestrados décadas atrás por agentes norte-coreanos.

O Japão também quer que a Coréia do Norte seja mantida na lista de países que patrocinam o terrorismo enquanto a questão não for resolvida. Essa posição pode causar problemas para a aliança entre Japão e EUA.

Outro assunto que causou tensão entre os dois países foi a declaração de Abe no mês passado negando que haja provas de que o governo ou as Forças Armadas japonesas tenham obrigado mulheres a trabalhar em bordéis militares durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois, Abe pediu desculpas pelo sofrimento dessas mulheres, e repetiu várias vezes que está de acordo com o pedido oficial de desculpas feito pelo governo em 1993, admitindo o envolvimento oficial nos bordéis. Mas existe a percepção de que ele esteja tentando diluir o passado japonês, o que é malvisto em Washington.

A perspectiva de que um democrata possa substituir Bush na Casa Branca também colabora para a preocupação analista.

- Koizumi e Abe apostaram todas as suas fichas na cesta republicana e conservadora, disse Robert Dujarric, pesquisador da Universidade Temple, no Japão.

- Têm bem poucos contatos com líderes democratas. Não os conhecem, por isso temem pelo que eles possam fazer.