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BAGDÁ - O novo embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, pediu a líderes de grupos religiosos e étnicos rivais na segunda-feira que desistam da política de 'ganhar ou perder' e acelerem os avanços na aprovação de leis cruciais à reconciliação nacional. Em sua primeira entrevista coletiva desde que chegou a Bagdá, em março, Crocker afirmou que os próximos meses serão estratégicos para o Iraque.
- A própria definição de reconciliação significa que as pessoas têm de se afastar da mentalidade de 'perder ou ganhar', para adotar uma outra forma de ajuste - disse ele.
As autoridades norte-americanas estão desanimadas com a relutância dos partidos iraquianos de fazer concessões e pelo lento avanço na proposta de lei para a divisão da receita gerada pelo petróleo, entre outras coisas. Os árabes sunitas, minoria que no regime de Saddam Hussein era dominante, sentem-se marginalizados no novo panorama político do país, em que a maioria xiita e a minoria curda tentam se consolidar no poder.
Crocker advertiu que a Al Qaeda, ligada a islamitas sunitas, está tentando deflagrar uma nova onda de violência entre sunitas e xiitas, com uma campanha de ataques suicidas e carros-bomba que já matou centenas de pessoas nas últimas semanas. Na segunda-feira, até 46 pessoas morreram em uma série de ataques a bomba no país. Um deles aconteceu em um restaurante perto da chamada Zona Verde, a área fortificada de Bagdá onde Crocker deu a entrevista.
Em uma nova tática militar para conter os ataques, os soldados norte-americanos começaram a isolar alguns bairros de Bagdá com muros de concreto, mas a medida recebeu fortes críticas de partidos sunitas e xiitas. O premiê Nuri al-Maliki disse no domingo ter determinado que as forças dos EUA interrompessem a construção de uma barreira de 3,6 metros em torno do bairro xiita de Adhamiya.
Crocker defendeu a muralha, alegando que 'faz todo o sentido' erguer barreiras onde há claras 'avenidas de ataque' entre áreas sunitas e xiitas. As autoridades dos EUA não esclareceram se a construção será ou não interrompida. Em Washington, o Departamento de Estado disse que as muralhas são uma medida temporária que visa proteger as pessoas, e não dividir o povo iraquiano.
- Acho que o plano de segurança para Bagdá ... pode fazer com que se ganhe tempo, mas ganhe tempo para o que tem de ser feito -- um entendimento político entre os iraquianos - disse Crocker.
Três carros-bomba explodiram no reduto insurgente de Ramadi, matando 20 pessoas, disse a polícia. Uma fonte de um hospital local afirmou que 29 corpos haviam chegado após a explosão. Em Baquba, capital da volátil província de Diyala, no norte de Bagdá, um carro-bomba matou 10 policiais. Além disso, outro carro-bomba matou mais dez pessoas num ataque contra o escritório de um partido político curdo próximo à cidade de Mosul, no norte do país.