Combates na Somália deixam 55 civis mortos

Agência AFP

MOGADÍSCIO - Pelo menos 55 civis morreram neste sábado em confrontos entre tropas etíopes e rebeldes islamitas em Mogadíscio, onde os últimos quatro dias de combates deixaram 168 mortos, informou uma organização somali de direitos humanos.

Sudan Ali Ahmed, diretor da Organização Elman para a Paz e os Direitos Humanos, declarou à AFP que o balanço é baseado em dados dos hospitais e de outras organizações que contabilizaram os corpos abandonados pelas ruas.

"Pelo menos 55 civis morreram nos confrontos deste sábado, mas ainda temos que contar o número de feridos", acrescentou Ahmed.

- Com estas vítimas chega a 168 o número de mortos em quatro dias de combates em Mogadíscio - acrescentou Ahmed.

- Hoje as forças etíopes estão usando tanques e morteiros e estão disparando nas pessoas, casa por casa. Não sei por quê a comunidade internacional e as Nações Unidas não denunciam que civis estão sendo assassinados em Mogadíscio - completou.

Segundo o diretor da Organização Elman, centenas de milhares de pessoas que fugiram da capital vivem uma situação desesperadoraa.

- Não têm agua, comida ou remédios. Pedimos à comunidade internacional que venha resgatar nossa população deste sofrimento - destacou.

Ahmed também pediu o fim das hostilidades.

- Enviamos uma mensagem às duas partes pedindo o fim dos enfrentamentos, mas não recebemos resposta. Pedimos que acabem com as lutas o mais rápido possível para poder ajudar os civis - afirmou.

De acordo com a agência da ONU para os refugiados, mais de 321.000 pessoas fugiram de Mogadíscio desde 1º de fevereiro, quando recomeçaram os combates.

A ONU acusou as forças governamentais somalis de bloquear os envios de ajuda humanitária e inclusive de ter disparado contra um avião de abastecimento das Nações Unidas.

Em Mogadíscio os corpos são deixados nas ruas, o que representa perigo de epidemias de cólera ou diarréia.

Pouco antes do anúncio do novo balanço de vítimas, algumas testemunhas informaram à AFP a morte de 11 civis e dezenas de feridos.

Além disso, um morteiro caiu sobre a sede da rádio somali Horn Afrik, ferindo dois jornalistas.

O Exército etíope interveio na Somália oficialmente no fim de dezembro de 2006 para expulsar do país os tribunais islâmicos, que convocaram uma guerra santa contra o regime de Addis Abeba.