Agência EFE
SANTO DOMINGO - A diretora para a América Latina e o Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Rebeca Grynspan, disse nesta quinta-feira que a região mostra neste momento um bom crescimento econômico, mas falha na redução da desigualdade e no combate à pobreza.
Numa conferência em Santo Domingo, a economista e socióloga costarriquenha reivindicou que os Governos e povos latino-americanos trabalhem para evitar que milhões de seres humanos sejam condenados à exclusão permanente.
- Na América Latina, um em cada quatro jovens não estuda nem trabalha. O seu único contato com o Estado é através da Polícia - criticou a diretora do Pnud.
Ela avaliou que a América Latina é a região com maior desigualdade no mundo, e afirmou que hoje 95% da pobreza extrema são registrados em países considerados de renda média.
As políticas latino-americanas, denunciou, caíram na 'armadilha' de acreditar que primeiro é preciso criar riquezas para depois dividir o bolo.
- Por isso há na região um excesso de pobreza e a desigualdade é cada vez maior - disse a economista.
Grynspan também citou outros números que considerou "apavorantes', como a estatística de que 80% das crianças latino-americanas cujos pais não completaram a educação básica estão condenadas a repetir a 'calamidade'.
A diretora regional do Pnud comentou além disso que as desigualdades causam 'desilusão' na confiança democrática e contribuem para o 'indubitável' descrédito dos partidos políticos latino-americanos.
- A educação e a saúde são os suportes básicos da inclusão. É fundamental transformar as políticas de Governos, assim como também os cidadãos devem exigir seus direitos e cumprir as suas responsabilidades - recomendou.