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Governistas se unem para formar Partido Democrata na Itália

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Agência EFE

ROMA - O segundo partido em importância da coalizão que governa a Itália, o centrista A Margarida, iniciou hoje o caminho rumo à formação do novo Partido Democrata (PD), junto com o ex-comunista Democratas de Esquerda (DS), a principal força da aliança governista. O congresso do A Margarida, realizado paralelamente ao do DS, teve discurso do primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, que disse ter a intenção de concluir seu trabalho em 2011.

Prodi, de 68 anos, não pertence a nenhum partido e disse que sua principal vontade é a de, no final desta legislatura, ter sua tarefa como concluída, acrescentando que a Itália precisa de novos líderes e de uma maior participação política.

Em seu discurso, o premier italiano defendeu o futuro Partido Democrata e disse que 'hoje é um dia importante', que marca 'um passo à frente em um processo comprido, compridíssimo: um projeto para levar a Itália ao novo século'.

No entanto, alertou que o PD não pode ser a soma dos dois partidos fundadores e 'só nascerá caso seja capaz de se apresentar como um partido novo'. Por isso, afirmou que é 'fundamental uma fase constituinte aberta a uma militância na qual todos os cidadãos possam ter voz'.

A Margarida e DS, as duas maiores legendas das 16 que formam a atual maioria de centro-esquerda na Itália, reafirmaram, em Roma e em Florença (centro), seus respectivos congressos, o objetivo de estabelecer as bases do PD.

Ainda restam algumas dúvidas sobre o projeto, como quem será o novo líder da legenda e qual será sua localização no cenário político europeu.

O DS é fruto do histórico Partido Comunista Italiano (PCI) e orbita na social-democracia, enquanto o A Margarida se situa no centro e reúne desde liberais a democratas-cristãos e radicais. O líder do A Margarida, Francesco Rutelli, discursou durante o congresso sobre a localização do PD no cenário europeu e mostrou-se contrário a que a legenda ingresse no Partido Socialista Europeu (PSE), como quer o líder dos DS, Piero Fassino.

Rutelli disse que, para seu partido, o ingresso no PSE é "impossível' e, para o PD, seria 'uma redução das oportunidades, não um crescimento', mas afirmou acreditar ser possível uma relação de "aliados' com a formação européia.

Segundo Rutelli, o Partido Democrata será o da 'modernização da Itália, porque o reformismo é fazer mudanças, em vez de anunciar a revolução e certificar a conservação'. Além disso, o PD, disse o ex-prefeito de Roma, será útil para levar o país rumo a uma 'equilibrada e madura democracia da alternância'.

Enquanto isso, no segundo dia do congresso nacional do DS, discursaram algumas vozes contrárias ao projeto, entre elas Fabio Mussi, líder da corrente mais esquerdista da formação, que anunciou que não participará do novo partido.

Mussi assinalou que pretende criar um novo movimento político "autônomo', que se situe mais à esquerda que o PD, com o objetivo de manter viva a perspectiva de 'uma força de esquerda de inspiração socialista'.

Outra voz discordante foi a da corrente liderada por Gavino Angius, que, até o final do congresso, não decidirá se participará do Partido Democrata, e lamentou o desaparecimento do DS, que é, ressaltou, 'a maior força da esquerda italiana'. Para Angius, estão 'errando o caminho' rumo ao PD, projeto do qual não compartilha, como está esboçado, e disse que é preciso perguntar-se 'quais coisas unem' o A Margarida e o DS para criar a nova formação. Seu discurso foi aplaudido pelo público em várias passagens, como quando fez um apelo em favor do laicismo.