Gates cobra reconciliação a líderes iraquianos

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BAGDÁ - O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, pediu a líderes iraquianos nesta sexta-feira que aprovem uma legislação que tem o objetivo de aliviar as divisões sectárias.

É sua primeira visita ao Iraque desde o início da operação de segurança realizada desde fevereiro por tropas norte-americanas e locais.

- O progresso na reconciliação será um elemento importante em nossa avaliação no final do verão - disse Gates, referindo-se à maneira como os comandantes norte-americanos disseram que será usada para avaliar o progresso da ação de segurança lançada em Bagdá em fevereiro.

Washington considera determinante a aprovação de leis que estabelecem os critérios da divisão das riquezas petrolíferas e autorizam ex-membros do Partido Baath, que sustentava o regime de Saddam Hussein, a voltarem a trabalhos do serviço público.

A tensão entre a maioria xiita e a outrora dominante minoria sunita permanece elevada desde fevereiro de 2006, quando um ataque à mesquita xiita de Samarra colocou o país à beira de uma guerra civil. Na quarta-feira, dia mais violento em Bagdá desde o início da operação de segurança, carros-bomba mataram quase 200 pessoas.

Gates planejava visitar nesta sexta-feira uma base conjunta de soldados dos EUA e do Iraque, mas a viagem foi cancelada.

A ida do secretário ao Iraque coincide com um momento de profunda divisão entre a Casa Branca e o Congresso, dominado pelos democratas, que tentam vincular a liberação de 100 bilhões de dólares para a guerra à adoção de prazos para a retirada das tropas.

Bush e seus aliados republicanos vêm tentando afastar as recorrentes comparações do atual conflito com a guerra do Vietnã, acentuadas depois que o líder democrata no Senado, Harry Reid, afirmou que a guerra do Iraque está perdida.

Ele relatou ter dito nesta quarta-feira na Casa Branca a Bush que o envio de 30 mil soldados a mais para o conflito 'não está servindo de nada'. 'A guerra só pode ser vencida diplomaticamente, politicamente e economicamente, e o presidente precisa chegar a entender isso', afirmou Gates em entrevista coletiva nesta quinta-feira.