Vídeos de Cho acrescentam pouco à investigação irritam famílias

Agência EFE

BLACKBURG - A Polícia analisa nesta quinta-feira os vídeos, fotos e textos enviados por Cho Seung-Hui, embora tenha dito que até o momento deram poucas contribuições à investigação, enquanto os familiares das vítimas afirmaram estar insatisfeitos com a rede "NBC', por causa da divulgação do material.

O superintendente da Polícia da Virgínia, Steve Flaherty, disse hoje em entrevista coletiva que lamenta 'que as imagens tenham sido transmitidas', enquanto afirmou que, no que se refere à investigação, seu valor é 'marginal'.

- O pacote, simplesmente, confirma o que já sabíamos na maior parte dos casos - declarou Flaherty.

Porém, entre os estudantes da universidade Virginia Tech, e especialmente entre os familiares das vítimas, a publicação das imagens de Cho causaram tristeza e indignação.

Flaherty expressou hoje seu pesar pelo fato de 'todos terem visto as imagens'.

Cho Seung-Hui, o estudante coreano de 23 anos que realizou o massacre de 32 pessoas na última segunda na Virginia Tech, preparou o ataque com todo cuidado e deixou um vídeo e um manifesto no qual culpa a sociedade por ter lhe colocado em um beco sem saída do qual apenas a morte podia tirá-lo.

Com suas angustiantes declarações de loucura gravou um vídeo que enviou à rede 'NBC' pelo correio, entre um ataque e outro, junto com um pacote de fotos nas quais aparece armado e sempre com uma atitude violenta e agressiva.

O pacote chegou ontem, e, após um grande debate, a emissora decidiu finalmente entregá-lo à Polícia e divulgar seu conteúdo.

Esta decisão trouxe junto o imediato cancelamento de várias entrevistas que familiares das vítimas tinham combinado com a 'NBC'.

Muitos podem entender os motivos da 'NBC', mas a maior parte se sente indignada com o que acredita ser uma oportunidade de Cho dar "a última palavra' no episódio.

O hondurenho Juan Manuel Cerrato, de 27 anos, que faz doutorado em Engenharia Civil, não quis escutar as palavras do assassino.

"Eu deixei de ver a televisão quando começou a dar o discurso. Não me interessa. Entendo que os investigadores e gente independente o queiram ver, mas não nós, que sofremos, que perdemos estas pessoas valiosas', declarou o estudante à Efe.

Cerrato era amigo do porto-riquenho Juan Ramón Ortiz, uma das vítimas.

A mesma rejeição foi apresentada por Ioannis Stivachtis, diretor do programa de relações internacionais da universidade: 'eu vi o que aconteceu. Não preciso ver nenhum vídeo. Não tenho que ver nada para saber o que acontecia em sua cabeça', disse em referência a Cho.

Stivachtis era o conselheiro acadêmico de sete estudantes assassinados.

- Todos eram estudantes excelentes - disse, enquanto continha as lágrimas. - Ainda vejo seus sorrisos, os vejo fazendo brincadeiras - declarou.

- Porém, temos que continuar, não podemos nos render a este medo, se não o assassino teria alcançado muito mais do que desejava conseguir - afirmou.

E assim, pouco a pouco a universidade volta a seu ritmo. Os escritórios administrativos estão abertos, mas o campus está muito vazio e não é algo apenas físico, mas também emocional.

Grande parte dos estudantes foi para casa. Alguns dos que restam se aproximam da esplanada central, o chamado Drillfield, onde há um altar improvisado com flores e velas.

As pessoas falam baixo, como se estivesse em uma igreja.

Os especialistas acham que o dia mais difícil será na próxima segunda, quando serão retomadas as aulas e, os alunos, longe de suas respectivas famílias, passarão pelo cenário de uma tragédia que nunca poderão esquecer.