Facilidade de comprar armas facilita tragédias nos EUA

Agência JB

RIO - Os Estados Unidos são uma cultura armamentista e bélica. No país existe uma emenda que garante a todo cidadão a compra e uso de armas de fogo para defesa pessoal e do seu lar (the second emendment). A questão porém, vai além disso. Durante seu mandato, o presidente Clinton levantou várias vezes a questão da necessidade em endurecer normas (gun control) contra a deliberada venda de armas.

Nesta segunda-feira, uma tragédia abalou a pequena e universitária cidade de BlacksBurgs, Virgínia. O aluno coreano Cho Seug-Hui, que matou 32 pessoas, entre professores e alunos, comprou com facilidade as duas armas usadas no massacre. O dono da loja de armamento lamenta ter sido ele a vender o instrumento da desolação de tantas famílias. O presidente Bush, um ferrenho defensor do direito de portar armas fez várias declarações para manifestar-se horrorizado com as atitudes do atirador. A universidade, institucionalmente, fez um tardio mea culpa sobre a falta de cuidado em lidar com repetidas demonstrações de doença mental de Cho (que já havia sido internado em clínica psiquiatríca).

Os Estados Unidos são também a terra das oportunidades e do olho por olho, dente por dente. Se você tiver um comportamento inadequado com um subalterno será julgado e condenado à multa por seus iguais, se o prédio que você construiu cair, matando seus moradores, você indenizará todos eles, os filhos das vítimas, os pais das crianças, os avós desolados.

No caso da tragédia na Virginia Tech, é coerente imaginar que alguém vai ser reponsabilizado criminalmente e com ação civil. A Universidade pecou no zelo aos seus alunos, mesmo com todos os indícios da loucura de Cho. O vendedor da loja deveria ter se perguntado por que um jovem estudante universitário precisaria de tanto armamento. Os fabricantes de armas deveriam instruir melhor seus revendedores quanto a venda de seus produtos.

A trágica ironia é que depois dos atentados terroristas contra as Torres Gêmeas em 2001, um conjunto de leis foi aprovado intensificando a proteção dos aeroportos e restrigindo os direitos dos cidadãos em nome da segurança nacional. Uma legião de jovens morrem todos os dias na guerra do Iraque, um inimigo invisível e esfomeado.

Em outubro de 2005 a Câmara aprovou uma controversa lei dando proteção ampla aos fabricantes de armas contra ações civis, sejam elas individuais ou em grupo. O conteúdo diz que: estão proibidas ações legais de serem propostas contra fabricantes ou revendedores de armas de fogo e munição. Sejam elas resultantes de ação criminosa cometida por terceiros fazendo uso desses produtos.

Não será um consolo para os pais dos alunos nem para os cônjuges e filhos dos funcionários. Alguém será responsabilizado, a dor dos pais de alunos mortos, conjugês e filhos dos funcionários assassinados precisa de conclusão. Uma barbaridade como essa, deliberada, sádica e tristemente assistida pelo mundo têm que ser culpa de alguém. Mas quem?