Escândalo faz senador dos EUA suspender ajuda à Colômbia

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BOGOTÁ - O senador democrata norte-americano Patrick Leahy, presidente da subcomissão de operações estrangeiras do Senado, congelou 55,2 milhões de dólares em ajuda militar à Colômbia enquanto discute com o Departamento de Estado dos EUA as denúncias de ligação entre o chefe do Exército colombiano e as milícias paramilitares ilegais que atuam no país sul-americano.

O governo do presidente colombiano, Alvaro Uribe, está sendo investigado num escândalo que revelou o apoio de vários integrantes de sua base parlamentar às milícias, que são acusadas de narcotráfico e de massacres durante a guerra contra as guerrilhas esquerdistas, que dura mais de 40 anos.

- Ele suspendeu a liberação do componente final do ano fiscal de 2006 para facilitar a realização de mais discussões com o Departamento de Estado - disse David Carle, porta-voz de Leahy.

Segundo Carle, o senador quer discutir o conteúdo de uma reportagem do jornal Los Angeles Times no mês passado que afirmou que o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya, teria trabalhado junto com as milícias de ultradireita para combater os rebeldes.

- Até que essas discussões ocorram, ele vai manter a liberação desses fundos suspensa - disse Carle. O senador já fez isso no passado, tendo liberado o dinheiro depois dos esclarecimentos.

Uribe é o principal aliado de Bush na América Latina. Dentro do Plano Colômbia, os EUA já mandaram para Bogotá mais de 4 bilhões de dólares, principalmente em ajuda militar e no combate ao narcotráfico, desde 2000.

A Casa Branca quer enviar cerca de 600 milhões de dólares ao ano para a Colômbia, mas alguns democratas exigem que o governo colombiano consiga algum avanço no combate à influência dos paramilitares e na defesa dos direitos humanos.

Grupos de defesa dos direitos humanos com sede nos EUA, entre eles a Anistia Internacional e o Human Rights Watch, defenderam a suspensão e a investigação.