Em Israel, Gates discute Irã, China e venda de armas

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TEL AVIV - O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, visitou Israel na quarta-feira para fortalecer a aliança estratégica entre os dois países diante do programa nuclear iraniano e para tentar resolver uma polêmica que dura sete anos em torno da venda de armas israelenses para a China.

A última visita de um chefe do Pentágono a Israel foi feita em 1999 por William Cohen, pouco antes de Washington vetar um lucrativo contrato pelo qual Israel venderia radares à China -- os EUA temiam que isso afetasse a segurança de Taiwan. Os EUA dão mais de 2 bilhões de dólares anuais a Israel em ajuda para defesa.

Mais recentemente, Israel se comprometeu a rever as regras para as exportações bélicas, depois de queixas de funcionários do Pentágono sobre trabalhos de manutenção em aviões de combate não-tripulados que Israel forneceu à superpotência asiática.

- O fato de eu ter vindo aqui no final do meu quarto mês como secretário ilustra a importância que dedico à nossa relação com Israel - disse Gates em entrevista coletiva ao lado de seu colega israelense, Amir Peretz.

Ele disse ter conversado com Peretz sobre a insurgência iraquiana, a Síria e o Irã, cujo programa nuclear Israel e os EUA suspeitam estar voltado para o desenvolvimento de bombas atômicas -- o que Teerã nega.

Israel, supostamente a única potência nuclear do Oriente Médio, insinua que poderia fazer um ataque 'preventivo' ao Irã, algo que seguramente exigiria a aquiescência norte-americana, mas que poderia afastar aliados árabes dos EUA.

Gates, que se reúne na quinta-feira com o primeiro-ministro Ehud Olmert, disse acreditar na eficácia das sanções do Conselho de Segurança ao Irã.

- Nós (Peretz e eu) concordamos que é importante lidar com o problema nuclear iraniano por meio da diplomacia, o que parece estar funcionando - afirmou.

Peretz foi mais evasivo. - O caminho diplomático é preferível e deve seguir seu rumo, mas ainda não é possível remover outras opções da nossa mesa.

Um importante assessor de Peretz disse, sob anonimato, que Israel vê uma importância simbólica e também estratégica na visita de dois dias de Gates ao país.

- A importância aqui está no fato de acontecer. As relações com o Pentágono não foram ótimas nos últimos anos, então vemos isso como uma oportunidade para melhorar nossos laços - disse o assessor.

O jornal The New York Times disse neste mês que objeções israelenses haviam paralisado uma importante venda de armas dos EUA à Arábia Saudita e a outros países do golfo Pérsico que não demonstram animosidade contra Israel.

Questionado sobre o tema, Gates disse que os EUA estão comprometidos em preservar a superioridade militar de Israel.