OIM alerta que êxodo no Iraque pode agravar problemas de outros países

Agência EFE

GENEBRA - Os graves problemas enfrentados por Síria e Jordânia devido à presença em seu território de mais de 1,7 milhão de iraquianos poderão se agravar com o aumento do êxodo de cidadãos do Iraque para os países vizinhos, alertou nesta quarta-feira a Organização Internacional das Migrações (OIM).

Segundo a organização, os problemas 'não são nada comparado ao que poderia acontecer caso os possíveis refugiados que ainda não saíram do Iraque consigam deixar o país'.

Durante a conferência para coordenar os esforços internacionais em favor dos refugiados e deslocados do Iraque, que será encerrada nesta quarta em Genebra, o chefe da missão da OIM no país, Rafik Tshannen, criticou a lentidão do mundo para perceber 'a magnitude do drama vivido pelos deslocados iraquianos'.

Segundo os dados mais recentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o número de refugiados iraquianos no Oriente Médio aumentou a 2,3 milhões, enquanto outros 1,9 milhão abandonaram seus lares por causa da violência, tornando-se deslocados internos.

Tshannen elogiou que na conferência tenha sido reconhecido que a presença de mais de um milhão e de 750 mil refugiados iraquianos na Síria e na Jordânia, respectivamente, represente uma grande pressão para os dois países, mas pediu também que não fosse esquecida a situação dos deslocados internos.

Ou seja, aqueles que não dispõem de meios financeiros suficientes ou da documentação necessária para deixar o país ou que, simplesmente, não receberam o apoio de terceiros, parentes e amigos, para fazê-lo.

O representante da OIM se mostrou cético em relação ao entusiasmo mostrado na véspera em Genebra pelo ministro de Assuntos Exteriores iraquiano, Hoshyar Zebari, pelos supostos resultados positivos do plano de segurança para Bagdá iniciado recentemente junto aos Estados Unidos.

Sobre isso, Tshannen duvidou de que, graças ao plano, os deslocados estejam retornando à capital iraquiana.

- Recebemos informações de que algumas pessoas voltaram após o início do plano de segurança, mas só para visitar suas propriedades e recolher alguns pertences, e não para ficar. Talvez algumas o fizeram, mas não uma quantidade significativa - afirmou.

No entanto, o chefe da OIM no Iraque confirmou que com o fenômeno do deslocamento interno surgiu uma tendência à formação de um tipo de 'mapa étnico' formado pelas comunidades sunitas, xiitas e outras comunidades minoritárias tanto em Bagdá quanto em todo o Iraque.

- Isso já está acontecendo. As pessoas que viviam nas cidades retornaram a suas tribos de origem, onde se sentem mais seguras. Mas se a paz for restabelecida, também é provável que as pessoas retornem (às cidades). Não sabemos se é uma tendência temporária ou definitiva - disse.

Tshannen afirmou que, quando o fenômeno começou, poucas pessoas "conseguiram trocar suas casas por outras nas áreas para onde se deslocaram, mas a maioria se viu obrigada a fugir, vendendo ou simplesmente perdendo seus lares'.

Sobre o trabalho da OIM, disse que a organização conta com o apoio das autoridades iraquianas e que, apesar da violência, suas operações não são atrasadas em mais que alguns dias.

-Quando uma área é fechada por uns dias devido à falta de segurança, três dias depois ela voltará a se abrir, e poderemos retomar nossos trabalhos - disse.

A OIM conta com 70 funcionários locais no Iraque, mas trabalha em coordenação com organizações locais, de cuja ajuda 400 mil iraquianos se beneficiam.