Explosões de carros-bomba matam 170 em Bagdá

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BAGDÁ - Uma série de explosões de carros-bomba matou quase 170 pessoas em Bagdá nesta quarta-feira, no pior dia de violência na capital iraquiana desde o início da operação de segurança que visava a conter os confrontos sectaristas. Uma das explosões, num bairro de maioria xiita, o Sadriya, matou 118 pessoas e feriu 139, disse a polícia.

- A piscina virou uma piscina de sangue - disse Ahmed Hameed, um lojista que estava perto dali.

Os ataques, aparentemente coordenados - foram cinco num período curto de tempo - aconteceram horas depois de o premiê iraquiano, o xiita Nuri al-Maliki, ter dito que o Iraque assumiria a segurança do país todo até o fim do ano, deixando de depender das forças estrangeiras. Maliki está sob crescente pressão para determinar uma data para a saída das tropas estrangeiras, mas os ataques de Bagdá, em regiões principalmente xiitas, mostraram a dimensão do desafio que será para as forças iraquianas conter a violência. Há hoje no Iraque mais de 150 mil soldados, a maioria norte-americanos.

Os ataques de quarta-feira deixaram mais de 200 feridos.

- Vi dezenas de cadáveres. Gente foi queimada viva dentro de microônibus. Ninguém conseguia chegar até eles depois da explosão - disse uma testemunha da Reuters em Sadriya, descrevendo o caos no local da explosão, um cruzamento perto de um mercado. A testemunha, que não quis ser identificada, disse que havia muitas mulheres e crianças entre os mortos. Um homem gritava histericamente:

- Cadê o Maliki? Falem para ele vir aqui ver o que está acontecendo.

A operação de segurança em Bagdá começou em fevereiro, com a participação de forças iraquianas e norte-americanas. Desde então, os assassinatos por esquadrões da morte caíram, mas os ataques com carros-bomba são bem mais difíceis de evitar, dizem autoridades norte-americanas. Os ataques podem recrudescer as tensões sectárias na capital, especialmente dentro da milícia comandada pelo clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, cuja facção acaba de deixar o governo.

A maioria dos ataques visando xiitas no Iraque são atribuídos à Al Qaeda, que é sunita, e teme-se que o Exército Mehdi vá ás ruas para revidar. Horas antes das explosões, o premiê havia feito um novo apelo pela reconciliação nacional.

- Os sunitas não são inimigos dos xiitas e os xiitas não são inimigos dos sunitas - disse ele num discurso.

Além da explosão de Sadriya, um carro-bomba matou 35 pessoas num posto de fiscalização na Cidade de Sadr, reduto do clérigo. Um terceiro ataque matou dez pessoas, segundo a polícia. O ataque que atingiu o bairro de Sadriya foi o ataque isolado mais mortífero desde a explosão de um caminhão-bomba na mesma área no dia 3 de fevereiro, em que 135 pessoas morreram.

Bagdá é o epicentro da violência no Iraque desde um ataque contra um templo xiita na cidade de Samarra, em fevereiro de 2006, que deflagrou os confrontos sectaristas.