EUA: Secretário acredita em 'esforços diplomáticos para o Irã'

Agência EFE

JERUSALÉM - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse nesta quarta-feira que os esforços diplomáticos para resolver a questão do programa nuclear do Irã 'parecem estar funcionando', enquanto seu homólogo israelense, Amir Peretz, não descartou 'outras opções'.

- Estamos de acordo com a importância de se lidar com o problema nuclear iraniano por meio da diplomacia, que parece estar funcionando - disse Gates em entrevista coletiva em Tel Aviv, junto a Peretz, com quem se reuniu esta tarde.

É a primeira visita de um secretário de Defesa americano vai a Israel em oito anos. O último a fazê-lo havia sido William Cohen, na Administração de Bill Clinton.

Gates e Peretz afirmam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares, fato desmentido pelo regime de Teerã. O secretário americano qualificou a entrevista como 'positiva'.

Segundo o ministro da Defesa de Israel, os planos nucleares iranianos não representam somente uma ameaça a Israel, mas 'a todo o mundo livre'.

- O ano de 2007 será importante para frustrar os planos do Irã, e não devemos descartar outras opções (além das diplomáticas) - afirmou Peretz.

Israel considera que o programa nuclear do Irã representa uma ameaça direta ao país. Isso porque o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu inúmeras vezes 'que Israel seja apagado do mapa', além de incentivar constantemente a 'guerra santa' contra o 'inimigo sionista'.

No entanto, o Governo do primeiro-ministro Ehud Olmert deixou claro que prefere que a comunidade internacional intervenha dessa vez. A imprensa local, porém, afirma que o Exército israelense está se preparando para qualquer contingência,

Em 1981, a Força Aérea israelense destruiu as instalações do reator atômico iraquiano Osirak. Entretanto, no caso do Irã, a distância e a grande quantidade de alvos envolvidos no programa nuclear - mais de 30 - tornam difícil repetir uma operação como a aplicada no Iraque.

Gates também defendeu, hoje, uma ação conjunta por parte da comunidade internacional, e disse que os 'esforços do Conselho de Segurança da ONU no sentido de frear o processo de enriquecimento de urânio iniciado por Teerã estão dando frutos'.

- A comunidade internacional está unida - disse Gates, que reconheceu, no entanto, que os resultados podem demorar a aparecer.

- Mas me parece que o caminho preferível é o das iniciativas diplomáticas, em particular porque a comunidade internacional está unida frente ao problema - reiterou.

Os líderes também conversaram sobre a Síria, país que consideram integrar o chamado 'eixo do mal', definido pelo presidente George W. Bush.

Gates, que chegou hoje a Tel Aviv vindo do Egito, explicou que "os Estados Unidos se opõem às atividades da Síria, que permite a passagem de suicidas para o Iraque e o rearmamento do Hisbolá, além de dar apoio ao terrorismo'.

Perguntado pelos jornalistas se estava descontente com os resultados dos conflitos travados no meio do ano passado entre Israel e a guerrilha xiita libanesa Hisbolá, o secretário de Defesa evitou responder.

- Não era secretário de Defesa na época em que os embates se iniciaram - afirmou.

Gates falou, porém, sobre os atentados cada vez mais devastadores que estão sendo realizados no Iraque. Hoje, mais de 150 pessoas morreram.

- Por trás desses atentados está a organização Al Qaeda. Esperávamos que os terroristas fossem tentar passar à população de Bagdá a idéia de que nossos esforços de segurança são um fracasso - declarou.

Depois de dizer que o número de mortes no Iraque nesta quarta era "aterrorizante', Gates lamentou que os 'terroristas estejam atacando inocentes iraquianos, gente de seu próprio povo'.