Bush e democratas mantêm impasse sobre verbas para guerra

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WASHINGTON - O presidente George W. Bush e os democratas não conseguiram resolver na quarta-feira o impasse em torno das verbas para a guerra do Iraque, durante uma reunião em que a oposição continuou pressionando Bush a aceitar um cronograma para a desocupação militar do país.

Ao saírem da audiência na Casa Branca, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disseram que em breve enviarão a Bush a lei que condiciona a liberação de 100 bilhões de dólares para a guerra a um prazo para a retirada.

A Casa Branca e seus aliados republicanos vêem nesses cronogramas 'datas para a rendição', e Bush promete vetar a lei. Ele acusa os democratas de tentarem tomar conta da guerra e argumenta que os projetos aprovados no Congresso incluem temas que nada têm a ver com os conflitos armados do Iraque e do Afeganistão.

Bush admitiu que há 'opiniões fortes' sobre a mesa, mas ele e os democratas adotaram um tom cordial em seus comentários e indicaram a disposição de se reunirem novamente.

- Viemos no espírito de esperança de que o presidente diria sim como resposta - disse a democrata Pelosi. Mas ela acrescentou que os democratas não dariam um 'cheque em branco' para manter as tropas no Iraque pelo tempo que quiser.

- Acreditamos que ele deva fazer um exame de consciência e descobrir o que for o melhor para o povo norte-americano - disse Reid. - Acredito que sancionar a lei fará isso.

Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, disse haver 'uma compreensão geral de que afinal as tropas vão receber as verbas de que precisam', mas lembrou que há 'discordâncias fundamentais sobre prazos vinculados a uma data para a rendição'.

Muitos parlamentares acham que um acordo só será discutido para valer depois que os democratas enviarem o projeto e Bush vetá-lo. Seria então necessário redigir uma nova lei, possivelmente considerando 'parâmetros' para avaliar o progresso no Iraque, ao invés de cronogramas.

Antes disso, porém, será necessário que os democratas da Câmara e do Senado cheguem a um acordo que unifique os dois projetos que tramitam no Congresso.

O líder republicano na Câmara, John Boehner, que participou do encontro na Casa Branca, disse que os democratas deveriam concluir rapidamente esse processo para que então o Congresso passe à segunda e mais importante etapa de redigir uma nova lei, depois do veto de Bush.

Os democratas consideram que sua posição a respeito das verbas para o Iraque foi reforçada pelas pesquisas que mostram uma crescente oposição às políticas de Bush para a guerra.

Nesta semana, uma pesquisa Washington Post-ABC News mostrou que 58 por cento dos norte-americanos confiam que os democratas no Congresso podem se sair melhor lidando com a situação no Iraque, enquanto 33 por cento confiam mais em Bush.

Num fato que pode agravar o pessimismo da opinião pública, uma série de atentados com carros-bomba matou quase 200 pessoas na quarta-feira em Bagdá, no dia mais sangrento desde o início de uma operação de segurança na capital determinada por Bush neste ano.

Em frente aos portões da Casa Branca, manifestantes do grupo pacifista CodePink gritavam 'Não financie a guerra de Bush'. Vários deles se acorrentaram à cerca metálica. Agentes do Serviço Secreto romperam as correntes e prenderam os manifestantes.