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Senadores alertam Bush contra concessões na Rodada de Doha

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REUTERS

WASHINGTON - Mais de metade dos senadores norte-americanos emitiram na segunda-feira um forte alerta para que o governo do presidente George W. Bush não faça concessões demais nas questões agrícolas em discussão na chamada Rodada de Doha das negociações comerciais globais.

- Não podemos apoiar um acordo que reduza diretamente o faturamento agrícola líquido por meio de profundos cortes em programas agrícolas, em troca de ganhos mínimos no acesso a mercados, cujos efeitos sobre os recibos na porta da fazenda são na melhor das hipóteses especulativos - disseram 58 senadores, de ambos os partidos, em carta ao presidente George W. Bush, datada de 12 de abril e divulgada na segunda-feira.

- Pedimos ao senhor que dirija suas negociações não para fazer mais concessões a respeito do apoio doméstico, mas ao invés disso que insista que nossos parceiros comerciais apresentem propostas ambiciosas de acesso a mercados - disseram os parlamentares.

A carta aparece dias depois de uma importante reunião da representante comercial dos EUA, Susan Schwab, com autoridades de União Européia, Índia, Brasil, Japão e Austrália em Nova Délhi.

Daquela reunião resultou um novo prazo para a conclusão da Rodada Doha, o final de 2007, mas ainda há poucos sinais de avanço em torno das complicadas questões agrícolas. Os países em desenvolvimento exigem que as nações ricas reduzam tarifas e subsídios dados a seus agricultores, mas em troca são pressionados a abrirem mais os seus mercados em produtos agrícolas, industriais e de serviços.

Para que a Rodada Doha esteja concluída até o final do ano, é importante que haja acordo nas próximas semanas, com um esboço mais definitivo por volta de julho.

Em 2005, os EUA ofereceram uma redução dos subsídios concedidos a seus produtores rurais, em troca de tarifas menores no exterior, mas a maioria dos outros participantes disse que a proposta não estava nem perto do ideal.

A manifestação dos senadores foi provocada por rumores na imprensa de que o governo poderia fazer uma nova oferta, cedendo mais terreno na questão dos subsídios, mesmo que em troca não recebesse tarifas menores.

Gretchen Hamel, porta-voz de Schwab, disse que o governo está alinhado com os senadores na questão.

- Concordamos que o acesso adicional aos mercados, para os fazendeiros e agricultores (dos Estados Unidos) da América, foi, é e continuará sendo crítico para um acordo na Rodada de Doha - afirmou.

Grande parte da comunidade agrícola dos EUA - e da respectiva bancada no Congresso-- parece disposta a abandonar totalmente a Rodada Doha se não houver redução internacional das tarifas.

- Nenhum acordo em Doha é melhor que um acordo ruim para os agricultores e fazendeiros - disse em nota o senador democrata Max Baucus.

A autoridade do governo Bush para negociar tratados comerciais sem interferência parlamentar expira no final de junho, e não está claro se o Congresso o renovará.

Brasil, Índia, EUA e UE, os principais envolvidos na negociação) devem voltar a se encontrar em maio.