Palestinos homenageiam compatriotas presos em Israel

Agência EFE

GAZA - Milhares de palestinos lembram, nesta terça-feira, o Dia dos Prisioneiros, com uma série de protestos em Gaza e na Cisjordânia, em solidariedade aos cerca de 11 mil compatriotas detidos em prisões israelenses.

O dia especial é celebrado em meio às negociações por uma eventual troca de 1.300 presos palestinos pelo soldado israelense Gilad Shalit, capturado por três milícias palestinas, em junho, próximo à Faixa de Gaza.

Entre 10 mil e 12 mil palestinos estão em prisões israelenses, mais de mil deles privados de medicação, apesar de apresentarem doenças ou ferimentos, ao tempo que dois mil estão completamente isolados e não podem ver seus parentes, segundo dados de organizações de direitos humanos tornados públicos hoje.

Marchas e protestos foram alguns dos atos organizados pelo Clube dos Prisioneiros e pelo Sindicato de Presos, e contam com a presença dos familiares de prisioneiros. Uma das manifestações foi realizada em frente à sede da Cruz Vermelha Internacional, em Gaza.

Ontem, o Hamas e o Fatah exortaram seus seguidores a capturar mais soldados e civis israelenses, de forma a possibilitar negociações.

A sociedade palestina é especialmente sensível ao problema dos prisioneiros, que vem gerando um impacto significativo nas atividades políticas e diplomáticas na região.

Prova disso é a fatwa (lei religiosa) promulgada hoje pelo juiz islâmico supremo, Tayser al-Tamimi, em que afirma ser um "pecado" não atuar em defesa dos presos, assim como "não ir à jihad (guerra santa)".

- O tema dos presos se tornou delicado, pois seu número está aumentando -, acrescentou o líder do comitê de prisioneiros no Parlamento da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Jaleda Jarrar.

Em carta aberta, as mães e os parentes dos presos pediram hoje às autoridades palestinas que dêem prioridade à libertação de seus familiares. Também pediram à comunidade internacional que pressione Israel para que cumpra com as leis internacionais sobre o tratamento humanitário dos presos.

Apesar de uma parte dos presos palestinos cumprirem pena por crimes de terrorismo, a maioria está sob o regime de "prisão administrativa", um conceito criado por Israel, que permite que as forças de segurança israelenses prendam qualquer pessoa nos territórios ocupados, sem a necessidade de julgamento.

Segundo a lei militar de Israel, esse período pode durar até seis meses. No entanto, por meio de um simples mecanismo, a prisão pode ser renovada várias vezes, sem a necessidade de que sejam apresentadas acusações, e com base em provas secretas, que nem o suspeito nem seu advogado podem ter acesso.

O número de "prisões administrativas" e processos de palestinos em tribunais militares israelenses na Cisjordânia - sob ocupação israelense desde 1967 - alcançou um recorde no ano passado, chegando a cerca de 6 mil, segundo dados da Promotoria Militar de Israel.

O Clube dos Prisioneiros, porém, calcula em 40 mil o número de palestinos detidos desde a eclosão da Segunda Intifada, em 2000.

Por sua vez, ativistas de direitos humanos criticaram o Governo da ANP, por "não incluir em sua agenda política" o assunto dos prisioneiros.

- Após a assinatura dos Acordos de Oslo, as autoridades deixaram o tema à mercê de Israel -, denunciou Khalil Abu Shamalla, do centro Al Damir de apoio a presos.