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NDJAMENA (CHADE) - Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pressionaram o Sudão na terça-feira a permitir a entrada de uma força mais robusta na região de Darfur, e acusaram o governo sudanês de não tomar as providências necessárias para acabar com a violência na região.
Como que para ressaltar a gravidade do problema, um grupo rebelde acusou soldados do governo e milícias de ter cometido um massacre num agrupamento de vilarejos do norte de Darfur. O Exército negou a acusação e atribuiu os ataques a confrontos 'normais' entre as tribos.
O vice-secretário de Estado norte-americano, John Negroponte, disse no Chade que, embora tenha sido 'importante' o governo sudanês ter concordado que a ONU reforce interinamente a força da União Africana que atua em Darfur, são necessários muito mais soldados de paz para chegar ao contingente de até 20 mil.
Em Londres, o premiê britânico, Tony Blair, também criticou a resistência sudanesa à mobilização de uma força maior da ONU.
O Sudão aceitou na segunda-feira o reforço das tropas da União Africana com 3.000 soldados de paz da ONU. Os EUA e a Grã-Bretanha vêm liderando a pressão ocidental para que o governo sudanês aceite a ampliação da presença estrangeira na região, onde pelo menos 200 mil pessoas já morreram desde 2003 no conflito étnico e político deflagrado por uma revolta.
Numa entrevista coletiva, Negroponte, que acabava de voltar de Darfur, disse que os 3.000 soldados aceitos pelo Sudão não são a força sólida que os EUA gostariam.
Segundo Negroponte, o comandante da UA em Darfur disse a ele que há 5.000 soldados africanos no local, mas que isso não é suficiente para patrulhar a área, que tem o tamanho da França. Rebeldes lutam contra forças do governo sudanês, que se aliaram a milícias dos janjaweed.
- Assim, até a UA, assim como a ONU, acredita que a força de paz tenha de crescer para entre 17 mil e 20 mil pessoas - disse Negroponte. Antes de chegar ao Chade, ele conversou com líderes sudaneses em Darfur.
- Em todas as três áreas -- humanitária, de segurança e política --, o governo do Sudão não está fazendo o que poderia para garantir a implementação adequada do Acordo de Paz de Darfur - disse ele.
- Eles tornaram difícil para agências humanitárias operar em Darfur e ... resistiram à mobilização de uma força de paz internacional mais robusta - afirmou.
Depois, Negroponte foi para Trípoli para conversar com líderes líbios sobre Darfur.