REUTERS
MILÃO - A assembléia dos acionistas da Telecom Italia se transformou em um confronto aberto, na segunda-feira, quando o comediante Beppe Grillo comandou um protesto dos pequenos investidores no grupo, pedindo a renúncia dos executivos.
Enquanto a polícia de choque impedia que os manifestantes dos sindicatos entrassem no edifício em que a assembléia estava sendo realizada, na periferia de Milão, do lado de dentro os acionistas culpavam os executivos pela queda abrupta no valor das ações da empresa e pelas detenções de funcionários do setor de segurança do grupo em um inquérito quanto a suspeitas de uso ilegal de registros telefônicos.
- A administração do grupo deveria renunciar, depois de causar esse tipo de embaraço. Nos Estados Unidos, essa gente seria sentenciada a 20 anos de cadeia - disse Grillo, que critica há muito as elites italianas, em discurso aos acionistas.
Os executivos da maior operadora italiana de telefonia negaram quaisquer delitos, e responderão aos acionistas posteriormente, na assembléia.
Grillo, que informou em seu blog ter sido convidado por mais de quatro mil pequenos acionistas da empresa a representá-los, começou a estabelecer credenciais como comentarista das atividades de grandes empresas ao alertar quanto a problemas no grupo alimentício Parmalat um ano ates de seu colapso, em 2003, o que resultou na maior concordata da história da Europa.
Os acionistas da Telecom Italia, a quinta maior operadora européia de telecomunicações, estão reunidos para votar quanto à composição de um novo conselho, diante da perspectiva de venda de uma parte do controle da empresa.
O conglomerado italiano Pirelli está negociando com a gigante norte-americana AT&T e com o grupo mexicano América Móvil a venda de uma participação acionária na Olimpia, holding que controla a Telecom Italia.
O banco italiano Intesa Sanpaolo pode considerar a aquisição de uma participação na Telecom Italia, como já aconteceu no caso de diversos outros grupos industriais italianos, disse Corrado Passera, presidente-executivo do banco, em apresentação a analistas.
A possível vende de parte do controle para duas empresas norte-americanas causa preocupação ao governo italiano, de centro-esquera, porque ele vê a Telecom Italia como uma parte importante na infra-estrutura do país.