Agência EFE
JERUSÁLEM - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, analisaram neste domingo como podem avançar na criação de dois Estados que convivam em paz.
- Eles conversaram sobre um horizonte político, de cooperação econômica entre Israel e o futuro Estado palestino e de estender o diálogo a iniciativas econômicas conjuntas - disse David Baker, porta-voz do Escritório do Primeiro-ministro israelense, ao comentar a reunião. Após o encontro, os dois líderes não falaram com a imprensa.
Baker afirmou que Abbas e Olmert 'não trataram dos assuntos relacionados com o acordo (de paz) final', como a questão das fronteiras, de Jerusalém e dos refugiados. Em entrevista coletiva em Ramala, Saeb Erekat, chefe negociador da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) confirmou que Olmert e Abbas falaram 'do horizonte político que significa a tradução da visão que o presidente dos Estados Unidos George W. Bush tem dos dois Estados'.
- Fala-se muito da paz. Estamos há 15 anos falando da paz e o povo está farto, a credibilidade requer que as pessoas vejam com os próprios olhos, que avançamos em direção a ela - declarou Erekat.
Abbas e Olmert se reuniram hoje em Jerusalém pela terceira vez neste ano e voltarão a se encontrar no final do mês, na cidade de Jericó. As reuniões bilaterais acontecem devido a um pedido da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que em sua última visita à região, no dia 27 de março, insistiu em que as duas partes começassem a regularizar suas relações para buscar uma solução definitiva para o conflito entre os dois povos.
Abbas explicou a Olmert o conteúdo da Iniciativa Saudita, pela qual a Liga Árabe se comprometeu com a plena normalização das relações de seus Estados-membros com Israel, desde que este último deixe os territórios que ocupou na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Erekat disse que um plano mais concreto e imediato foi estudado, analisando a possibilidade de retirada das blitze e dos controles militares israelenses na Cisjordânia, além da abertura total da passagem comercial de Karni - entre Gaza e Israel - e de passageiros por Rafah - entre Gaza e o Egito.
Os dois dirigentes decidiram ampliar progressivamente a abertura de Karni e renovar o acordo com a União Européia (UE) para que ela continue atuando como observadora na passagem de Rafah. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) também pediu a Olmert que o cessar-fogo, estabelecido no fim de 2005 na Faixa de Gaza, seja estendido à Cisjordânia.
A porta-voz israelense, Miri Eisin, afirmou que o representante de seu país apresentou aos palestinos 'um plano para a retirada dos postos de controle (na Cisjordânia), e eles apresentaram outro plano para restaurar as forças de segurança e impedir o disparo de foguetes Qassam e o contrabando de armas'. Olmert e Abbas trataram também da libertação do soldado Gilad Shalit - prisioneiro de milícias palestinas desde junho - em troca da liberdade de presos palestinos. Apesar disso, Erekat afirmou: "quanto menos falemos disto, mais possibilidades o Egito tem de obter êxito'.
O Egito atua como mediador entre Israel e o movimento islâmico Hamas, que - com outras duas milícias palestinas - mantém Shalit em seu poder. Até o momento, o Governo israelense não aprovou a lista de presos para serem libertados, como exigem os islamitas. Abbas e Olmert também conversaram sobre temas, como o descongelamento dos impostos e taxas de alfândegas que Israel recolhe para a ANP, e a abertura de um porto e de um aeroporto em Gaza.
A respeito da arrecadação de impostos, Erekat disse: 'não somos um país, não somos um estado, tudo chega através de Israel. Não é seu dinheiro é nosso dinheiro'. Lembrou que 60% do orçamento dos palestinos vem do que Israel recolhe.
A abertura do porto de Gaza é uma das questões pendentes do processo de Oslo (1993-2000), já que Israel sempre se opôs à proposta por ter medo de que sirva para colocar grandes quantidades de armas na faixa mediterrânea.
Algo parecido ocorre com o aeroporto, situado no sul de Gaza e que funcionou até o começo da segunda Intifada, em 2000, quando Israel destruiu as pistas. Miri Eisin descreveu a reunião como 'muito positiva', ao mesmo tempo em que Erekat disse que a conversa foi 'longa e profunda'.