Agência EFE
MOSCOU - A Rússia descartou o emprego de força militar contra o Irã, inclusive no caso de Teerã acelerar o desenvolvimento de seu polêmico programa nuclear, afirmou hoje Konstantin Kosachov, chefe do comitê de Assuntos Internacionais da Duma russa.
- Nós nos convencemos de que a Chancelaria russa calculou como atuar em caso de qualquer evolução da situação em torno do programa nuclear do Irã - disse Kosachov após uma reunião de seu comitê com o vice-ministro de Assuntos Exteriores, Serguei Kisliak.
Kosachov afirmou que 'o único roteiro que a parte russa descarta totalmente é o emprego da força contra o Irã', segundo a agência "Interfax'. O político disse que participaram da reunião representantes de todos os grupos da Câmara dos Deputados russa, mas se negou a dar outros detalhes com o argumento de que 'houve uma conversa muito confidencial, dado o caráter sensível do problema nuclear iraniano'.
- Claro, gera preocupação o fato de que o Irã segue sem esclarecer, infelizmente, os problemas que alarmam a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - ressaltou.
- Mas nem a AIEA dispõe de provas de que o Irã desenvolve um programa nuclear com fins militares - afirmou.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou esta semana que o país alcançou a capacidade de produzir combustível nuclear em escala industrial, para o qual necessitaria de pelo menos 3 mil centrífugas em funcionamento.
O diretor do Organismo de Energia Atômica iraniano, Gholam Reza Aghazadeh, afirmou que o Irã tem 'tudo planejado' para instalar 50 mil centrífugas na usina de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país. Estas declarações geraram grande preocupação no mundo, mas a Rússia, considerada aliada do Irã no cenário internacional, junto à China, diminuiu sua importância.
- Não temos dados que confirmem que o Irã tenha iniciado o enriquecimento prático de urânio em novas cascatas' de centrífugas interligadas, afirmou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.
O diretor da AIEA, Mohamad ElBaradei, disse na quinta-feira que "o Irã está na primeira etapa da produção' de urânio em escala industrial, mas que os objetivos do regime de Teerã preocupam mais que o enriquecimento de urânio em si.
ElBaradei admitiu que a AIEA não tem provas até agora sobre se o Irã tem instalações nucleares subterrâneas não anunciadas e pediu mais uma vez a Teerã que seja mais 'transparente' se quer convencer a comunidade internacional de que seu programa atômico tem fins pacíficos.