Agência EFE
LAGOS - O assassinato de um influente líder muçulmano no dia anterior às eleições regionais da Nigéria e a uma semana do pleito presidencial marcou o fim de uma campanha caracterizada pela violência e pelas denúncias de fraude e manipulação.
Abdullahi Jafar morreu nesta sexta-feira de manhã, assassinado por homens armados, enquanto orava numa mesquita da cidade majoritariamente muçulmana de Kano (norte), segundo fontes próximas à chefia da Polícia.
Apesar de não estar claro que o crime teve motivações políticas, ele aconteceu um dia antes de o país ir às urnas escolher os governadores dos 36 estados federados que formam a República da Nigéria.
O porta-voz do opositor Congresso para a Ação (CA), Lai Mohammed, disse à Efe que o imame Jafar era 'um grande seguidor' do partido.
- É possível que o tenham matado por medo de que instruísse seus fiéis a votar maciçamente no CA - disse Mohammed.
Além de votar neste sábado, a Nigéria voltará às urnas no dia 21, para escolher o novo presidente e renovar o Parlamento.
Após vários golpes de Estado militares, eleições fraudulentas e oito anos consecutivos de democracia, o pleito tem sido considerado histórico porque marcará a primeira transição entre dois Governos civis eleitos.
Nas últimas semanas, dezenas de outras pessoas também morreram em episódios de violência em todo o país, ao passo que organizações de direitos humanos denunciaram que muitos políticos estão pagando e armando jovens desempregados para intimidar eleitores ou seus adversários.
Em mensagem transmitida nesta sexta em rede nacional, o presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, descreveu as eleições como 'um momento definitivo e fundamental' para a consolidação da democracia.
"É deplorável que alguns indivíduos bem colocados estejam alimentando a discórdia, o ódio, a violência e a destruição', disse o presidente, que reafirmou a disposição de seu Governo em assegurar eleições livres de violência.