Agência EFE
PEQUIM - Mais de 10% das terras cultiváveis na China - cerca de dez milhões de hectares - estão contaminadas por águas residuais ou resíduos sólidos, segundo os primeiros resultados de um estudo publicado nesta segunda-feira pelo jornal 'China Daily'.
Analistas da Administração Estatal de Proteção Ambiental (SAIBA, sigla em inglês) recolheram amostras desde julho do ano passado nos considerados 'celeiros do país', como o delta do rio Yang Tsé, e nas zonas mais desenvolvidas, como a baía de Bohai, em um estudo pioneiro para avaliar a segurança alimentícia do país.
Num país onde apenas 13% das terras são cultiváveis, aproximadamente 12 milhões de toneladas de grão são contaminadas a cada ano devido a agentes nocivos como metais pesados, o que gera perdas de US$ 2,5 bilhões ao ano, segundo a SAIBA.
No poluído delta do Yang Tsé, os analistas descobriram quantidades alarmantes de metais pesados e poluentes orgânicos, e a cada ano o solo no local recebe duas mil toneladas de mercúrio procedentes da combustão de mais de dois bilhões de toneladas de carvão.
Os resultados definitivos do estudo serão divulgados em 2008 e servirão, segundo o Governo, para elaborar planos contra a contaminação do solo e de tratamento da poluição.
A falta de cultivos é uma das conseqüências da mudança climática, de acordo com o relatório aprovado na sexta-feira pela ONU.
O estudo das Nações Unidas redobrou a pressão sobre a China, segundo maior emissor mundial de CO2 e maior de dióxido de enxofre (que causa a chuva ácida), para que assuma compromissos de redução para depois de 2012.
A China divulgará seu plano sobre mudança climática no final deste mês, mas continua sendo uma incógnita se estabelecerá ou não objetivos de redução do dióxido de carbono, o que ocorreu com o de enxofre.