Agência EFE
TEERÃ - O porta-voz do Ministério de Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini, disse neste domingo que 'não está na agenda' de seu país manter conversas com os Estados Unidos e ressaltou que o Irã defende que a conferência sobre o Iraque, prevista para o início de maio no Egito, seja realizada em Bagdá.
- As conversas com os EUA não estão na agenda do Irã, afirmou Hosseini, citado pela agência 'Irna', em resposta às recentes declarações da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que manifestou que seu país está disposto a manter contatos com o Irã durante a conferência sobre o Iraque.
Quanto à participação do Irã na conferência - que, segundo o Ministério de Exteriores egípcio, será nos próximos dias 3 e 4 em Sharm el-Sheikh -, o porta-voz assegurou que ainda 'há consultas em andamento sobre a data e o lugar de sua realização'.
Hosseini ressaltou que 'o Irã acha que o encontro deve ser em Bagdá' e que 'ainda não se fixou nenhum lugar' para essa reunião.
O porta-voz assegurou que a suspensão do enriquecimento de urânio, exigida pelo Conselho de Segurança da ONU, 'não está, de maneira nenhuma, na agenda do Irã', porque 'vai contra os regulamentos do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)'.
- Não achamos que seja lógico fazer isso, disse.
O porta-voz confirmou que houve contatos nos últimos dias entre o chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, e o negociador nuclear iraniano, Ali Larijani, mas destacou que 'a questão é que não se pode adotar uma atitude dupla simultaneamente'.
- O Conselho de Segurança aprova uma resolução com sanções enquanto, ao mesmo tempo, se tenta negociar, disse Hosseini, acrescentando que seu país 'não manterá conversas sobre seus direitos absolutos'.
- O Irã negociará sem nenhuma condição prévia para dar fim às ambigüidades e preocupações e para demonstrar que não há nenhum desvio em suas atividades nucleares, insistiu.
Para poder continuar as negociações, prosseguiu Hosseini, Teerã deve identificar uma 'séria vontade' por parte do Ocidente para aceitar 'os direitos inalienáveis' do Irã.