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Papa destaca desastres naturais e denuncia a guerra e a fome do mundo

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Agência EFE

CIDADE DO VATICANO - Durante sua tradicional mensagem pascal, o Papa Bento XVI destacou neste domingo os últimos desastres naturais e denunciou as guerras e a fome que existem no mundo.

O Pontífice fez tais declarações na Praça de São Pedro, adornada para o Domingo de Páscoa com milhares de flores doadas por floricultores holandeses.

Milhares de fiéis - peregrinos e turistas - reuniram-se na praça. Segundo dados da imprensa local, havia cerca de 100 mil pessoas.

O Santo Padre lembrou que, na tradição cristã, hoje se comemora a ressurreição de Jesus. O Papa falou da passagem do Novo Testamento que trata do encontro entre Cristo e o discípulo incrédulo Tomás.

- Quando, oito dias depois, Jesus vinha pela segunda vez ao Cenáculo, disse-lhe: 'Traz teu dedo, aqui tens minhas mãos; traz tua mão e coloca-a em minhas costas, e não serás incrédulo, mas crente', relatou.

E depois acrescentou: 'Cada um de nós pode ser tentado pela incredulidade de Tomás. A dor, o mal, as injustiças, a morte, especialmente quando afetam os inocentes - por exemplo, as crianças vítimas da guerra, do terrorismo, das doenças e da fome - não submetem nossa fé a uma dura prova?.

Pouco depois fez enumerou os males que afetam o mundo. 'Quantas feridas, quanta dor no mundo! Não faltam calamidades naturais e tragédias humanas que deixam inumeráveis vítimas e grandes danos materiais. Penso no que ocorreu recentemente em Madagascar, nas Ilhas Salomão, na América Latina e em outras regiões do mundo.'

O Papa acrescentou ainda: 'Penso no flagelo da fome, nas doenças incuráveis, no terrorismo e nos seqüestros de pessoas, nos mil rostos da violência - às vezes justificada em nome da religião -, no desprezo pela vida e na violação dos direitos humanos, na exploração da pessoa'.

O Papa também expressou sua apreensão com a situação da África, especialmente a região de Darfur, no Sudão, e com a 'catastrófica'

condição humanitária nos países próximos.

Bento XVI citou a República Democrática do Congo. Falou dos choques e saques ocorridos recentemente que 'fazem temer pelo futuro do processo democrático'. Lembrou também a Somália e a crise do Zimbábue, 'para a qual os bispos do país indicaram como única via de superação a oração e o compromisso partilhado pelo bem comum'.

Depois voltou-se para a Ásia e discursou sobre a necessidade de paz e de reconciliação no Timor-Leste, no Sri Lanka e sobre o Afeganistão, 'marcado por uma crescente inquietação e instabilidade'.

O Papa destacou os sinais de esperança no diálogo entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina no Oriente Médio, mas disse

- infelizmente, nada de positivo vem do Iraque, ensangüentado por contínuos massacres, enquanto os povoados civis fogem.

Bento XVI disse que, 'no Líbano, a estagnação das instituições políticas hipoteca seu futuro e põe em risco o papel que o país é chamado a desempenhar na área do Oriente Médio'.

O chefe da Igreja Católica afirmou que não esquece 'as dificuldades que as comunidades cristãs enfrentam diariamente e o êxodo dos cristãos' do Oriente Médio, 'o berço' da fé cristã.

Após a mensagem, o Papa proferiu a bênção 'Urbi et Orbi' (à cidade de Roma e ao mundo), em 62 idiomas.