Agência EFE
CAIRO - O Grande Imame de Al-Azhar, a instituição mais importante do Islã sunita, xeque Mohammed Sayed Tantawi, quis acabar com uma antiga polêmica ao declarar que o transplante de órgãos humanos está de acordo com a 'sharia' (lei islâmica).
- O transplante de órgãos de uma pessoa morta para uma viva é lícito no Islã, enquanto seja feito de forma correta e através da doação, disse o clérigo na sexta-feira, em declarações divulgadas neste sábado, pela imprensa.
O anúncio de Tantawi diverge das opiniões de outros estudiosos da religião islâmica, que tinham rejeitado a prática dos transplantes.
- A doação de órgãos depois da morte é uma espécie de altruísmo, destacou o Grande Imame, cujas opiniões têm preferência sobre as de outros teólogos no Egito.
Tantawi disse que, para facilitar o transplante de órgãos, os médicos devem chegar a um consenso preciso sobre a morte, a fim de distinguir entre a morte clínica e a cerebral -na qual todos os órgãos vitais deixam de funcionar, exceto o coração -, e a morte do ponto de vista da religião.
A declaração do responsável religioso ocorre uma semana depois de o Governo egípcio anunciar que voltará a mandar para tramitação no Parlamento um projeto de lei para regulamentar o transplante de órgãos.
O debate sobre esse projeto estava paralisado há seis anos.