Agência EFE
TÓQUIO - O Japão reafirmou nesta terça-feira sua ofensiva comercial global com a assinatura de um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Tailândia e o anúncio de que voltará a dialogar com a Coréia do Sul para chegar a um pacto similar, além de analisar as possibilidades de fechar outro com os Estados Unidos.
O Japão, que na semana passada assinou com o Chile seu quinto TLC, iniciou uma onda de liberalização através de acordos com alguns de seus principais parceiros comerciais para não ficar de fora dos movimentos das grandes potências na assinatura de pactos bilaterais.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o premier tailandês, Surayud Chulanont, assinaram o chamado Acordo de Associação Econômica, que eliminará as tarifas em mais de 90% do volume de troca entre os dois países em dez anos a partir da entrada em vigor do pacto.
O acordo, cuja assinatura foi adiada devido ao golpe de Estado na Tailândia em setembro, prevê uma leve abertura de Tóquio no mercado agrícola, com sinais como a redução de tarifas no comércio do frango.
As exportações japonesas à Tailândia cresceram 7,5% em 2006 em relação ao ano anterior e as importações japonesas provenientes deste país subiram 14,3%.
No entanto, o acordo com a Tailândia seria insignificante se for confirmado o insinuado hoje pela ministra da Política Fiscal, Hiroko Ota, em declarações emitidas pela agência japonesa 'Kyodo'.
A ministra afirmou que o Japão analisará os potenciais resultados de um TLC com os EUA do ponto de vista dos 'interesses de todos'.
Abe amenizou a postura japonesa e afirmou que, dado o tamanho das duas maiores economias do mundo, este deveria ser um assunto tratado no futuro.
Segundo a 'Kyodo', grupos empresariais americanos e japoneses pressionam seus respectivos Governos para que assinem um acordo comercial.
O porta-voz do Governo japonês, Yasuhisa Shiozaki, anunciou também que o Japão 'está preparado' para retomar as negociações para assinar um TLC com a Coréia do Sul.
Abe confirmou que Tóquio e Seul devem fazer esforços para retomar as conversas, que foram interrompidas em novembro de 2004 devido à negativa japonesa de abrir seus mercados aos produtos agroalimentares sul-coreanos.
Tanto a Coréia do Sul como o Japão são importadores de alimentos líquidos, e seus setores agropecuários são uma área sensível para os dois Governos.
Seul conseguiu deixar de fora o setor de arroz no TLC assinado na segunda-feira com Washington. A área permanecerá fechada aos concorrentes estrangeiros.
A liberalização da agricultura, um ponto que bloqueou por um longo tempo as negociações da Rodada de Doha na Organização Mundial do Comércio, é uma barreira que limita o Japão para assinar pactos comerciais com potências agrícolas como os EUA.
O ministro do Comércio japonês, Akira Amari, assegurou que, antes de estudar um possível TLC com os EUA, o Japão deveria se concentrar nas negociações com a Austrália, cujo primeiro-ministro, John Howard, visitou Tóquio em março e decidiu com as autoridades japonesas o início das conversas.
As especulações sobre um possível pacto comercial entre Japão e Estados Unidos permanecerão durante um tempo na esfera pública, já que um comitê analisa as potencialidades de um acordo deste tipo e anunciará suas conclusões em breve.
Além da Tailândia, o Japão conta com acordos de livre-comércio com Cingapura, Malásia, Filipinas, México e Chile.