Agência EFE
PEQUIM - A China disse hoje esperar que o Sudão mostre 'mais flexibilidade' no conflito de Darfur, mas defendeu o aumento dos intercâmbios militares com o país africano, durante a visita do chefe do Estado-Maior do Exército sudanês, Ahmed el Gaili.
"A China expressou sua esperança de que o Sudão mostre mais flexibilidade', disse o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Qin Gang, em referência à proposta de paz apresentada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
Qin, no entanto, reiterou que seu país acredita que qualquer solução 'deve respeitar a integridade territorial e a soberania do Sudão' e que confia em que o conflito será solucionado por meio do diálogo.
A autoridade militar sudanesa chegou no domingo a Pequim para uma visita de oito dias, que o levará também às cidades de Nanjing e Xangai (leste).
"As relações militares entre China e Sudão se desenvolveram sem problemas', disse o ministro da Defesa chinês, Cao Gangchuan, em sua reunião com Gaili, ontem, segundo informações divulgadas hoje pela agência oficial 'Xinhua'.
Segundo Cao, que também é vice-presidente da Comissão Militar Central da China, Pequim continuará 'desenvolvendo a cooperação entre os dois exércitos em todas as esferas'.
Gaili se reunirá amanhã com o general-em-chefe do Estado-Maior da China, Liang Guanglie.
Desde que o conflito de Darfur explodiu, em 2003, cerca de 200 mil pessoas morreram e mais de 2 milhões tiveram que deixar seus lares e alojar-se em campos de refugiados no Sudão e no Chade, no que, segundo a ONU, constitui um dos piores desastres humanos deste século.
A China é um dos principais aliados do Sudão, além de seu principal importador de petróleo, e utilizou sua cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU para bloquear qualquer tentativa de condenar o regime de Cartum ou para enviar tropas da ONU à região sudanesa.