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CAMP DAVID (EUA) - O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou neste sábado que os EUA estariam dispostos a cortar substancialmente os subsídios agrícolas, mas querem acesso a mercados de bens e serviços em troca.
A afirmação foi feita durante entrevista coletiva, na qual estava presente o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu com Bush nesta tarde.
Bush disse ainda que acredita que a Rodada de Doha de comércio global, que enfrenta dificuldades na questão dos subsídios agrícolas de países desenvolvidos, poderia ter uma chance de ser bem-sucedida.
A rodada também é vista como forma de reduzir a pobreza global, ao ampliar o comércio mundial, o que poderia favorecer as nações em desenvolvimento.
O presidente Lula concordou com Bush, afirmando que deixa Camp David com um grande otimismo de que logo poderá ser alcançado um acordo em Doha --a rodada foi relançada este ano, após seis meses de negociações suspensas, principalmente por impasses na questão agrícola.
Lula ressaltou, no entanto, que há urgência de os países se entenderem sobre Doha, e que as nações desenvolvidas precisam ceder na área de subsídios agrícolas.
- Se não diminuir subsídio, a oportunidade para um acordo será perdida - afirmou ele, acrescentando em seguida que os EUA também precisariam eliminar tarifas como a incidente sobre o álcool brasileiro, de 0,54 dólar por galão.
- Tenho dito a todos os chefes de Estado, Bush, Blair (Tony Blair, primeiro-ministro britânico), Merkel (Angela Merkel, chanceler alemã), Prodi (Romano Prodi, primeiro-ministro da Itália), Chirac (Jacques Chirac, presidente francês). Tenho dito que Doha é importante não apenas para o Brasil - declarou ele.
- É importante que possamos garantir a esperança ao mundo... - acrescentou Lula, ressaltando que o Brasil é competitivo em agricultura, mas também em outros setores.
- Bush sabe disso, sabemos que quando falamos em acordo na OMC (Organização Mundial de Comércio), estamos falando para que os países tenham uma oportunidade - completou.
Lula, assim como Bush, ao responder uma pergunta, afirmou que não há um 'plano B', caso Doha fracasse.
- Se não houver acordo, o Brasil vai continuar seguindo o seu caminho, comprando e vendendo, mas certamente todos vão sofrer mais se não tiverem a oportunidade.
- Não tenho um plano b, se não tivermos acordo, todos serão perdedores.
- Se estamos interessados em eliminar a pobreza, vamos fazer (um acordo) - complementou Bush, acrescentando que o isolacionismo das nações traz mais instabilidade ao mundo.