Agência EFE
TEERÃ - O Irã criticou hoje o Conselho de Segurança da ONU e chamou de 'ilegal e injustificável' a resolução da entidade com novas sanções, aprovada no último sábado contra Teerã por sua recusa de suspender o enriquecimento de urânio. O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Mohamad Hosseini, também disse que a 'a resolução prejudica a credibilidade das Nações Unidas', pois 'priva o Irã de seu direito ao desenvolvimento e às pesquisas científicas'.
Esta é a primeira reação oficial de Teerã com relação à resolução 1747, a terceira aprovada pelo Conselho com o objetivo de pressionar o Irã a suspender seu programa nuclear.O ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou na reunião de ontem do Conselho que a nova decisão internacional não levará Teerã a abandonar suas atividades nucleares "pacíficas'.
- Com esta resolução o Conselho de Segurança não respeitou a Justiça e privou as Nações Unidas e a Lei Internacional de sua credibilidade - declarou o porta-voz iraniano, que é citado hoje pela imprensa oficial.
Ele também afirmou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) 'nunca disse que o Irã se desviou' em suas atividades nucleares, e reafirmou que estas 'são desenvolvidas sob total supervisão desta entidade internacional'. Na resolução, é exigido que o Irã suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio, assim como a fabricação de um reator de água pesada, e esclareça as dúvidas da AIEA sobre os fins pacíficos de suas atividades neste campo.
Sob o capítulo 41 da Carta da ONU, que não contempla a intervenção militar, é apresentada uma série de novas sanções caso o regime de Teerã não cumpra em 60 dias estas demandas internacionais.
As novas sanções se referem à proibição do Irã de exportar armas e ao congelamento de ativos financeiros de 28 indivíduos e entidades que estão ligados ao programa nuclear e de mísseis balísticos iraniano, entre eles membros da Guarda Revolucionária da República Islâmica. Além disso, são apresentadas restrições de viagem, de importar armas para o Irã, assim como de conceder créditos e assistência financeira ao Governo iraniano. No documento também é reafirmado o papel da AIEA em seus esforços para solucionar o caso iraniano, e se pede que em 60 dias o diretor da entidade organismo, Mohamed El Baradei, apresente um relatório de situação sobre a atitude mostrada por Teerã.