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QUININDE - O presidente de Equador, Rafael Correa, disse neste sábado que seu objetivo é criar incerteza nos mercados financeiros e reiterou que o país pode descumprir o pagamento de algumas parcelas da dívida externa. Correa, de 43 anos, um ex-professor de economia de tendência política de esquerda, chama todos os mercados de bônus e mercados financeiros de "mercados especulativos".
-A estratégia deste governo ... é gerar incerteza para os mercados especulativos-, disse Correa em seu programa de rádio semanal, gravado na cidade litorânea de Quininde.
-Nos reservamos o direito de não pagar a dívida se a situação do país o requer-, acrescentou.
O presidente preocupa os investidores com suas promessas de limitar o pagamento da dívida externa para incrementar o gasto local.
Correa, que chegou à Presidência em janeiro e é muito popular, disse que seu governo realizou o primeiro pagamento em fevereiro a tempo, só porque não teve tempo para implementar sua estratégia de dívida.
-Não acredito que tenha uma estratégia de dívida claramente definida-, disse Gianfranco Bertozzi, analista de Lehman Brothers em Nova York.
Correa acrescentou que pedirá aos bancos que reduzam as tarifas para ajudar os pequenos produtores do país.
-Não está gerando riqueza o setor financeiro, mas extraindo riqueza do setor privado-, ressaltou.
-Terão que reduzir as taxas de juros, reduzir as condições e o custo do serviço- acrescentou.
A dívida externa do Equador chegou a 10,2 bilhões de dólares no fim de 2006, uma alta de quase 6 por cento com relação ao ano anterior.
Correa disse ainda que os bancos vão ter que voltar a levar para o Equador alguns de seus depósitos que estão no exterior, uma medida que os investidores disseram que poderia ferir o setor financeiro do país.
O setor se recuperou recentemente de uma crise econômica de 1999. Em uma medida para incrementar os gastos com programas sociais, Correa disse que planeja assinar um decreto na próxima semana para aliviar as restrições ao uso do fundo de petróleo Cereps, que foi criado originalmente para pagar as obrigações com a dívida externa.