Agência EFE
MOSCOU - A Coréia do Norte pediu nesta sexta-feira que Rússia perdoe uma dívida de US$ 8,8 bilhões, ao alegar que não poder cumprir o pagamento devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.
- A parte norte-coreana diretamente e com franqueza diz que não está em situação de saldar a dívida contraída com a Rússia - disse o chefe do Serviço Federal de Controle Ecológico, Tecnológico e Nuclear russo, Konstantin Pulikovski, citado pelas agências locais.
O ministro do Comércio Exterior norte-coreano, Lim Kyong Man, que chegou hoje a Moscou para negociar o perdão da dívida e outros projetos de cooperação econômica, pediu a Moscou 'uma decisão política' sobre o assunto.
Pulikovski, amigo pessoal do líder norte-coreano, Kim Jong-il, disse que essa decisão só pode ser tomada pelos 'dirigentes dos dois países', mas se disse otimista quanto a uma solução do problema antes do fim do ano.
Até agora, a Rússia tinha manifestado sua disposição de negociar o perdão de 80% da dívida contraída por Pyongyang, cuja economia sustenta-se na autarquia há mais de meio século.
Metade desta dívida foi contraída com a União Soviética, que concedeu ao regime norte-coreano empréstimos para a construção de centrais elétricas.
Além disso, as duas partes discutiram hoje diversos projetos conjuntos, como a extensão de linhas de alta voltagem para fornecer energia elétrica a Pyongyang a partir do Extremo Oriente russo ou o fornecimento de 50.000 toneladas de carvão anuais.
A Coréia do Norte também mostrou-se interessada na participação de companhias russas na construção de uma central hidroelétrica e na reconstrução de outras duas projetadas por engenheiros soviéticos.
Durante a reunião da comissão intergovernamental de cooperação econômica, comercial e científica, também foi abordada a necessidade de determinar o itinerário da nova linha férrea transcoreana, projeto estagnado devido ao conflito nuclear.
O presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se recentemente disposto a fortalecer as relações bilaterais com Pyongyang, ao receber a credencial do novo embaixador norte-coreano, Kim Yen Jue.
Em 2006, o volume de comércio exterior entre os dois países foi de mais de US$ 209,7 milhões, o valor mais alto desde a queda da URSS (1991).
A Rússia, que compartilha com a Coréia do Norte uma fronteira terrestre de cerca de 20 quilômetros, é uma das poucas aliadas com do isolado regime comunista no âmbito internacional.