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Governo Italiano é criticado por acordo com Taliban

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REUTERS

ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, está enfrentado críticas no país e no exterior depois de fazer um acordo com o Taliban para libertar um repórter italiano sequestrado no Afeganistão. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha denunciaram o acordo em que cinco militantes do Taliban foram trocados pelo jornalista nesta semana. Na quinta-feira, a oposição italiana ameaçou retirar seu apoio aos soldados de manutenção da paz italianos no Afeganistão. O apoio é crucial para Prodi antes de uma votação em 27 de março que decidirá sobre a missão no Senado, onde ele tem uma tênue maioria.

Prodi teve de renunciar brevemente no mês passado depois de uma revolta de alidados de esquerda e de pacifistas, em parte por causa da presença de italianos ao lado de tropas dos EUA, Grã-Bretanha e aliados ocidentais no Afeganistão.

- Agora não somos considerados dignos de confiança por nossos aliados - disse o ex-primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, um forte aliado dos Estados Unidos.

- (Presidente dos EUA George W.) Bush confiava em mim. Não é a mesma coisa agora - acrescentou.

O próprio governo de Berlusconi foi acusado por críticos de pagar para libertar reféns italianos no Iraque entre 2004 e 2005. No entanto, Gianfranco Fini, ministro de Relações Exteriores de Berlusconi, disse que nenhum aliado estrangeiro tinha culpado Roma em crises anteriores com reféns.

- A Itália perdeu toda a sua credibilidade internacional - disse Fini, acrescentando que os 1.900 soldados italianos no Afeganistão, que não estão envolvidos em uma ofensiva em larga escala da Otan no sul do país, estão mal-equipados para lidar com a recente escalada da violência.

Uma importante autoridade de administração dos Estados Unidos disse nesta quarta-feira que Washington queixou-se formalmente com Roma sobre a troca de prisioneiros para libertar o jornalista Daniele Mastrogiacomo, que é vista como uma 'concessão a terroristas' que colocaria as tropas da Otan em perigo.

A Grã-Bretanha afirmou estar preocupada que o acordo, autorizado pelo presidente afegão Hamid karzai, 'envie a mensagem errada para futuros sequestradores'.

A Itália buscou apaziguar o racha e o ministro das Relações Exteriores, Massimo D'Alema, telefonou para sua colega norte-americana, Condoleezza Rice, na quinta-feira para aclarar a situação Prodi disse que Roma apenas queria salvar a vida de Mastrogiacomo. O repórter, sequestrado em 5 de março, foi libertado na segunda-feira. Seu motorista afegão foi decapitado pelos sequestradores e o paradeiro de seu intérprete permanece incerto. Analistas disseram que o governo italiano tinha poucas opções além de negociar com o Taliban, por receio de que Mastrogiacomo não fosse libertado ou pior morto. Situação que tornaria a votação no Senado ainda mais difícil para Prodi.