Agência EFE
CAIRO - O influente grupo fundamentalista islâmico Irmãos Muçulmanos, principal grupo de oposição do Egito, anunciou nesta quarta-feira que boicotará o plebiscito sobre a reforma constitucional previsto para a próxima segunda-feira.
- Todos os plebiscitos realizados antes foram manipulados, portanto, não tem significado participar do próximo plebiscito - afirmou a organização em breve comunicado divulgado em seu site.
Também recusaram-se a tomar parte nessa votação, porque as emendas aprovadas pelo Parlamento egípcio na segunda-feira passada "expressam os ditames de uma só parte, a do regime (que governa o Egito)'.
A nota afirma que os Irmãos Muçulmanos adotaram esta postura depois que o governante Partido Nacional Democrático (PND), que possui dois terços das 454 cadeiras da Câmara, 'aprovou as emendas em menos de 48 horas de debates e antecipasse para a próxima segunda-feira a realização do plebiscito'.
Nesse sentido, disse que a maioria parlamentar do PND rejeitou todas as emendas propostas pelos deputados dos Irmãos Muçulmanos, pelos partidos da oposição e pelos independentes.
- Além disso, a Câmara ignorou as advertências dos juristas e representantes das organizações da sociedade civil sobre o pacote de reformas à Constituição - acrescenta a nota.
O boicote do grupo ocorre um dia depois de o presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciar através de um decreto oficial que o plebiscito acontecerá em 26 de março.
As 34 emendas propostas por Mubarak foram aprovadas por unanimidade pelos 315 deputados presentes, anunciou na segunda-feira passada o presidente da Câmara, Fathi Surur.
Mais de cem deputados opositores - 88 deles dos Irmãos Muçulmanos - boicotaram as sessões de debate em protesto, por considerá-las uma manobra de Mubarak para perpetuar-se no poder ou para entregá-lo a seu filho Gamal. Por fim, acabaram assistindo à sessão de votação e votando contra.
Entre os artigos mais polêmicos, está a anulação da supervisão judicial das eleições - que, segundo a oposição, permitirá a fraude -, a proibição de partidos políticos com base religiosa, dirigida contra os Irmãos Muçulmanos, e uma nova lei antiterrorista que pode restringir ainda mais os direitos individuais.